Dados roubados da Petrobras podem ser sobre megacampo

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008 21:50 BRT
 

Por Maurício Savarese

MACAÉ, Rio de Janeiro (Reuters) - Os computadores roubados com dados sigilosos da Petrobras podem conter informações relativas ao campo de Júpiter, descoberto no mês passado pela estatal, disse uma fonte policial próxima às investigações. Segundo dirigentes da empresa, a descoberta do campo de Júpiter pode ajudar o Brasil a conseguir a auto-suficiência em gás natural em alguns anos.

De acordo com esta fonte, os computadores estavam em um navio sonda que perfurou o campo de Júpiter, na bacia de Santos, daí a possibilidade de as máquinas armazenarem informações a respeito da descoberta. Ainda de acordo com essa fonte policial, que falou sob a condição de não ter seu nome revelado, a descoberta do campo "pode ser" a motivação do crime.

A sonda de perfuração NS-21, conhecida como Ocean Clipper, é uma das duas no Brasil que são capazes de perfurar poços muito profundos, abaixo das camadas de sal --características essas que são comuns tanto ao campo de Júpiter como ao megacampo de Tupi, também localizado na região da bacia de Santos, de acordo a avaliação de outra fonte que acompanha as investigações.

A sonda chegou ao Rio no dia 25 de janeiro e foi armazenada no terminal da empresa portuária Poliportos, que cede espaço para a Petrobras, e saiu de lá apenas no dia 29. O roubo foi detectado no dia 31.

A Polícia Federal em Macaé, que recebeu nesta quarta-feira a visita de um delegado de Brasília e de outro do Rio de Janeiro, ouviu quase 20 pessoas que entraram em contato com os equipamentos e transportaram o contêiner e a caixa na qual se localizavam os quatro computadores e dois pentes de memória que foram roubados.

Foram ouvidos ao longo do dia três funcionários do setor de segurança da Petrobras, três empregados da Halliburton, empresa proprietária das máquinas e parceira da estatal, e um da Transmagno, que levou a carga do Rio de Janeiro para Macaé. A PF se concentra na hipótese de crime de espionagem industrial.

(Edição de Eduardo Simões)