Dirigente da esquerda mexicana critica "absolutismo" de Chávez

quinta-feira, 8 de novembro de 2007 23:02 BRST
 

Por Anahí Rama

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - A concentração de poderes por meio da reforma constitucional é um erro do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que pode inclusive beneficiar a direita, disse na quinta-feira um dos principais dirigentes da esquerda mexicana.

Chávez promove uma reforma constitucional que estabelece, entre outras coisas, o direito à reeleição indefinida do presidente, a ampliação do mandato de seis para sete anos e a suspensão dos direitos constitucionais em caso de estado de exceção.

"Penso que o presidente Chávez não deveria pensar em levar adiante sua proposta de socialismo do século 21, de socialismo bolivariano, sobre a base de concentrar o poder absoluto", disse à Reuters Jesús Ortega, líder da ala moderada do Partido da Revolução Democrática (PRD). "É um erro estratégico."

O PRD é a segunda maior força política do México e a principal oposição ao governo conservador de Felipe Calderón. Ortega é forte candidato a se tornar presidente do partido nas eleições internas de março.

Ortega disse que a esquerda, que começou a ganhar terreno na América Latina a partir do final da década de 1990, deve se acostumar a alternar o poder com a direita.

"(Chávez) está polarizando o país demais, e isso pode trazer o fortalecimento de expressões conservadoras e de expressões de direita que se transformaram num obstáculo para o desenvolvimento social e o desenvolvimento democrático do país", afirmou.

É necessário, segundo ele, que a esquerda entenda que seu avanço não é necessariamente irreversível e que amadureça para alcançar um jogo político similar ao da Espanha, onde o direitista Partido Popular e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) se alternam no governo nos últimos 25 anos.

"Essa visão absolutista acho que não é a que convém", disse Ortega, referindo-se a Chávez.

O PRD enfrenta fortes diferenças internas sobre como deve ser a oposição a Calderón. O setor do ex-candidato a presidente Andrés Manuel López Obrador, mais radical, acusa a Nova Esquerda, liderada por Ortega, de se aproximar do governo, violando a decisão do último Congresso do partido de considerá-lo ilegítimo, devido às suspeitas de fraude na época da eleição.