23 de Outubro de 2007 / às 02:27 / 10 anos atrás

Vice-premiê de Israel pede negociações sobre futuro de Jerusalém

Por Adam Entous

JERUSALÉM, Israel (Reuters) - O vice-primeiro-ministro de Israel, Haim Ramon, afirmou na segunda-feira que Israel deveria estar preparado para futuras negociações com os palestinos sobre dividir Jerusalém e ceder o controle de alguns dos locais mais sagrados da cidade.

Ramon, que é vice do premiê Ehud Olmert, deu essas declarações enquanto negociadores palestinos e israelenses iniciavam discussões, em um local secreto de Israel, a respeito de um documento conjunto que esperam divulgar em uma conferência a ser patrocinada pelos Estados Unidos e na qual deve ser discutida a independência palestina.

Nabil Abu Rdainah, um assessor do presidente palestino, Mahmoud Abbas, afirmou à agência de notícias oficial Wafa que as negociações tinham por objetivo fixar o rumo de um processo que desembocaria em uma paz ampla. O fracasso desses esforços diplomáticos, afirmou, poderia "afundar a região na violência".

As declarações do vice-premiê israelense a respeito de algumas das questões mais delicadas envolvendo esse processo de negociações alimentou boatos sobre a possibilidade de ele estar realizando balões de ensaio em nome de Olmert antes da conferência internacional prevista para acontecer em Annapolis (EUA).

"Não seria um acordo apropriado se palestinos, o mundo ocidental e a comunidade internacional reconhecessem a anexação (por Israel) de bairros (judeus) como parte de Jerusalém e por meio do qual saíssemos dos bairros árabes?", perguntou Ramon à Rádio Israel.

Segundo o vice-premiê, eram prematuras por enquanto as especulações sobre ceder o controle da Cidade Velha de Jerusalém, à qual se referiu como "vale sagrado". Mas acrescentou: "Precisamos dizer que haverá um regime especial no 'vale sagrado', sobre o qual negociaremos no futuro".

Na semana passada, Olmert e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, acertaram um documento conjunto que deve servir de base para as negociações sobre o status final, processo esse que pode iniciar-se depois da conferência prevista para acontecer na segunda metade de novembro.

As negociações sobre o status final -- envolvendo as fronteiras de um eventual Estado palestino, o destino de Jerusalém e o futuro dos milhões de refugiados palestinos -- foram interrompidas no começo de 2001 em meio a uma onda de violência.

Abbas deseja realizar um plebiscito entre os palestinos caso um acordo seja selado. Mas não se sabe exatamente como isso aconteceria já que a facção Fatah, movimento secular ligado ao presidente, controla atualmente apenas a Cisjordânia ocupada. O Hamas, um grupo islâmico, assumiu o comando da Faixa de Gaza em junho.

Ramon é um dos homens mais próximos de Olmert. Mas o premiê, enfraquecido devido a escândalos de corrupção e à guerra do ano passado no Líbano, não referendou publicamente as idéias de seu vice.

(Reportagem adicional de Ari Rabinovitch em Jerusalém, e Wafa Amr e Ali Sawafta em Ramallah)

REUTERS FE

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