Relator da ONU critica violência policial no Brasil

quarta-feira, 14 de novembro de 2007 20:23 BRST
 

Por Raymond Colitt

BRASÍLIA (Reuters) - Policiais, membros de esquadrões da morte e traficantes costumam matar impunemente nas cidades brasileiras, causando uma violência sem sentido, e as políticas públicas são inadequadas, disse na quarta-feira um relator da ONU para questões de execuções extrajudiciais.

Em entrevista coletiva em Brasília ao final de uma visita de 11 dias ao Brasil, Philip Alston disse que a polícia costuma matar deliberadamente suspeitos de serem criminosos e que os agentes também participam do crime organizado.

"As histórias que (testemunhas e parentes de vítimas) nos contaram eram trágicas", disse Alston. Com cerca de 55 mil mortes violentas por ano, o Brasil tem uma das maiores taxas mundiais de homicídios.

Em São Paulo, menos de 10 por cento dos homicídios vão a julgamento, e só metade dos réus são condenados, segundo o relator da ONU.

As conclusões de Alston, que foi convidado pelo governo brasileiro, reforçam a impressão de que a polícia está cada vez mais brutal no combate à criminalidade. Ele citou a ação policial de junho no Rio que matou pelo menos 19 pessoas.

"Tive de concluir que esta operação foi conduzida por razões políticas. Não melhora a segurança, melhora as pesquisas de opinião em curto prazo", afirmou.

O relator se disse "perplexo" por ouvir que uma operação envolvendo 1.350 policiais terminou com 19 mortes devido à "resistência" de supostos bandidos, mas resultou na apreensão de apenas 12 armas e não levou à prisão de nenhum grande traficante.

Há fortes sinais de que muitas das 694 mortes atribuídas pela polícia à "resistência" só no primeiro semestre no Rio na verdade tenham sido execuções extrajudiciais, segundo Alston.   Continuação...