23 de Outubro de 2007 / às 03:46 / 10 anos atrás

Multidão saúda volta de ex-premiê Benazir Bhutto ao Paquistão

Por Zeeshan Haider

KARACHI (Reuters) - A ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto desembarcou nesta quinta-feira em Karachi, onde foi recebida por mais de 100 mil simpatizantes nas ruas, encerrando assim oito anos de auto-exílio.

“Sou grata a Deus, estou muito feliz por estar de volta ao meu país, e estava sonhando com este dia”, disse Bhutto, soluçando, à Reuters, ao desembarcar proveniente de Dubai, em um avião da empresa Emirates.

Bhutto voltou para dirigir o seu Partido do Povo do Paquistão nas próximas eleições do país, que marcam a volta do regime civil.

Durante anos, Bhutto prometeu só voltar ao Paquistão para encerrar a ditadura militar, embora ela regresse como potencial aliada do general-presidente Pervez Musharraf, o comandante militar que assumiu o poder por meio de um golpe em 1999.

Antes de se despedir das duas filhas e do marido em Dubai, Bhutto disse que o Paquistão se encontra em uma encruzilhada entre democracia e ditadura.

Musharraf atravessa seu período de maior fragilidade política, e há forte especulação de que ele acabará dividindo o poder com Bhutto após as eleições nacionais marcadas para o começo de janeiro.

“Agora que o povo deu seu veredicto, é necessário que as eleições sejam livres e justas”, disse Bhutto a jornalistas no aeroporto de Karachi.

Vestindo um shalwar kameez (conjunto de túnica e calças) na cor verde e com a cabeça coberta por um lenço branco, ela beijou o livro sagrado do Islã, o Corão, antes de pisar na pista do aeroporto, onde centenas de seguranças armados faziam a vigilância.

Acredita-se que os Estados Unidos incentivaram discretamente a aliança entre Bhutto e Musharraf, a fim de manter no Paquistão um governo pró-Ocidente e comprometido com o combate à Al Qaeda e a estabilização do Afeganistão.

Enquanto o resto do Paquistão estava hipnotizado pela volta de Bhutto, Musharraf passou a manhã na sede do Exército em Rawalpindi, sem agenda oficial, segundo um assessor.

O retorno de Bhutto agradou aos investidores da Bolsa de Karachi, cujo principal índice subiu 47 por cento neste ano. Na quinta-feira, a alta foi de 1 por cento, atingindo o recorde de 14.802,61 pontos.

“Há uma sensação de que o cenário político vai se estabilizar agora e de que haverá políticas econômicas consistentes”, disse Muzzamil Mussani, operador da empresa JS Global Capital Ltd.

Cerca de 20 mil seguranças foram mobilizados para impedir atentados suicidas na chegada de Bhutto. Relatórios de inteligência sugeriam que pelo menos três grupos de “jihadistas” ligados à Al Qaeda e ao Taliban estavam tramando ataques, segundo uma autoridade local.

“Ela tem um acordo com (os Estados Unidos da) América. Vamos realizar ataques contra Benazir Bhutto como fizemos com o general Pervez Musharraf”, disse Haji Omar, comandante do Taliban na região tribal do Waziristão, fronteira com o Afeganistão, por telefone à Reuters.

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