Em Brasília, Merkel comenta questão de biocombustível e Amazônia

quarta-feira, 14 de maio de 2008 19:06 BRT
 

Por Raymond Colitt

BRASÍLIA, 14 de maio (Reuters) - A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, pediu na quarta-feira que o Brasil adote padrões ambientais mais rígidos na produção de biocombustíveis, mas defendeu que os países ricos paguem pela proteção das florestas e de sua biodiversidade.

O Brasil é o maior produtor mundial de etanol, feito de cana. Apesar de não ocorrer cultivo de cana em larga escala na região amazônica, críticos dizem que o aumento da produção sucroalcooleira no Sudeste e Centro-Oeste está empurrando a agropecuária para dentro da Amazônia, acelerando sua devastação.

"Os biocombustíveis são uma forma de substituir os combustíveis fósseis tradicionais, caso sejam produzidos de forma sustentável", disse Merkel em Brasília, quando questionada sobre a importação de biocombustíveis brasileiros na Alemanha.

"Há estatísticas que despertam preocupação a respeito do desmatamento, do processo de deslocamento entre a soja, a carne e a floresta", disse ela na entrevista coletiva ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas ela defendeu que também os países ricos se empenhem mais na proteção ambiental nos países em desenvolvimento. Promessas feitas nesse sentido ainda não foram cumpridas.

"Se quisermos ser levados a sério nisso, precisamos fazer os pagamentos e cumprir o prometido", disse Merkel.

Lula disse que o Brasil é o maior interessado em proteger a Amazônia, mas que seus milhões de habitantes também têm direito à prosperidade e que há um custo em manter a floresta em pé.

O presidente afirmou que o Brasil está aberto ao debate internacional sobre os benefícios e riscos dos biocombustíveis, mas não aceitaria "um debate de meias-verdades" que representem os interesses comerciais de seus competidores.   Continuação...