Eleições no Paquistão são adiadas para 18 de fevereiro

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 16:04 BRST
 

Por Zeeshan Haider

ISLAMABAD (Reuters) - O Paquistão adiou as eleições, programadas inicialmente para 8 de janeiro, para o dia 18 de fevereiro, por causa do assassinato da candidata Benazir Bhutto. A medida contrariou os principais partidos da oposição.

"Em todas as quatro províncias, por alguns dias, o processo eleitoral ficou completamente paralisado", disse o comissário-chefe das eleições, Qazi Mohammad Farooq, numa entrevista coletiva. "O pleito será realizado no dia 18 de fevereiro, em vez de 8 de janeiro."

O assassinato da carismática líder da oposição, que voltara ao país especialmente para o pleito, depois de oito anos de exílio auto-imposto, alimentou as dúvidas sobre a estabilidade do país e a transição para o regime democrático. O Paquistão é governado desde 1999 por Pervez Musharraf, que assumiu o poder após um golpe militar. O fato de o Paquistão possuir armas nucleares faz com que sua política interna seja de interesse do mundo todo.

Musharraf disse na quarta-feira, num pronunciamento, que vai mobilizar soldados do Exército e paramilitares para garantir a segurança nas eleições.

Os partidários do PPP (Partido do Povo do Paquistão), de Benazir Bhutto, e outro grande partido oposicionista, comandado pelo ex-premiê Nawaz Sharif, queriam que as eleições fossem mantidas para 8 de janeiro, já que acreditam que o adiamento favorece Musharraf.

O PPP esperava tirar vantagem da onda de solidariedade que se seguiu ao violento assassinato de Benazir, que foi vítima de um ataque a tiros e com homem-bomba ao deixar um comício em Rawalpindi, na quinta-feira.

O ataque matou quase 20 pessoas além da ex-premiê, e os protestos contra a morte provocaram outras 60 mortes no país. A situação, embora mais calma, ainda é tensa, e analistas disseram que um adiamento da eleição poderia levar a novos quebra-quebras. Os mercados temem que haja uma fuga de capital se a segurança piorar.

No pronunciamento pela TV, Musharraf disse ter certeza de que aliados da Al Qaeda estão por trás do assassinato de Benazir Bhutto. "Essa gente martirizou Benazir Bhutto", afirmou ele.

O presidente anunciou também que pediu ajuda à polícia britânica na investigação do crime.

(Reportagem adicional de Kamran Haider, Augustine Anthony, Simon Gardner, Mark Bendeich, Sahar Ahmed, Faisal Aziz e Robert Birsel)