26 de Outubro de 2007 / às 18:12 / em 10 anos

Moderados do Irã questionam táticas atômicas do presidente

Por Parisa Hafezi

TEERÃ (Reuters) - O maior partido reformista do Irã questionou abertamente a política nuclear do presidente Mahmoud Ahmadinejad na sexta-feira, um dia depois de os Estados Unidos terem imposto novas sanções contra a República islâmica.

A Frente de Participação Irã Islâmico também advertiu sobre o recrudescimento da crise com a comunidade internacional, pedindo a revisão da política nuclear iraniana.

“O governo devia acabar com suas políticas aventureiras”, disse Mohsen Mirdamadi, secretário-geral do partido, a um público de 200 pessoas durante uma reunião do partido.

Na quinta-feira, os Estados Unidos classificaram a Guarda Revolucionária iraniana como proliferadora de armas de destruição em massa, e acusaram a força Qods de dar apoio a terroristas. O governo norte-americano também impôs sanções a mais de 20 empresas, bancos e pessoas físicas do Irã.

Mirdamadi criticou a retórica anti-Ocidente do presidente Ahmadinejad, afirmando que o Irã está ficando cada vez mais isolado desde que ele assumiu o poder, em 2005.

“Podemos impor o sofrimento das sanções e outras medidas severas a nossa nação, como resultado de uma auto-exaltação ilógica e irreal?”, disse Mirdamadi ao público, que incluía o ex-presidente reformista Mohammad Khatami.

“Podemos exibir uma imagem brutal e aventureira da nação iraniana com nossa conduta inadequada e com discursos impróprios?”

É raro que haja críticas internas sobre a política nuclear iraniana, já que o assunto é considerado questão de segurança nacional. Os reformistas acham que o Irã deveria suspender o enriquecimento de urânio, retomando a postura do ex-presidente Khatami.

Países do Ocidente acusam o Irã de estar desenvolvendo armas atômicas. O Irã afirma que só quer gerar energia elétrica.

“Ahmadinejad adotou as táticas erradas, que estão empurrando o país na direção de um grave confronto com o mundo”, disse Mirdamadi à Reuters.

Embora a última palavra em questões de Estado seja do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, muita gente responsabiliza o governo de Ahmadinejad pelo impasse.

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