March 10, 2008 / 1:44 PM / in 9 years

Sarkozy cede espaço à esquerda em eleições municipais

4 Min, DE LEITURA

<p>O presidente franc&ecirc;s Nicolas Sarkozy nas elei&ccedil;&otilde;es municipais em Paris REUTERS. Photo by Pool</p>

Por Crispian Balmer

PARIS (Reuters) - O partido de centro-direita União por um Movimento Popular (UMP, do presidente Nicolas Sarkozy) sofreu derrotas no primeiro turno das eleições municipais francesas no domingo, mas evitou a derrota esmagadora que muitos previam.

Os resultados indicam que o Partido Socialista mantém de forma convincente a prefeitura de Lyon, segunda maior cidade do país, e deve se reeleger também no segundo turno de Paris, no dia 16.

O jornal Le Parisien viu no primeiro turno um "alerta" para o governo, mas a oposição pediu a seus seguidores que não se dêem por satisfeitos e mantenham a mobilização para o próximo fim de semana.

"Tudo continua em aberto, nada foi ganho nem perdido", disse o líder socialista François Hollande.

A votação municipal é o primeiro teste eleitoral para Sarkozy desde sua posse como presidente, há dez meses -- período em que suas taxas de aprovação desabaram, por causa da inflação e do foco excessivo na vida pessoal dele, o que inclui o casamento com a modelo e cantora Carla Bruni.

Os partidos de esquerda ficaram com 47,94 por cento dos votos de domingo, contra 45,49 por cento dos conservadores. O comparecimento foi relativamente elevado, de 65 por cento.

Muitos analistas previam uma surra eleitoral da esquerda. "Um efeito perverso das pesquisas de opinião: você se vê acreditando em uma vitória esmagadora, ela não acontece, e a frustração toma conta do sucesso", disse editorial do jornal esquerdista Libération.

As disputas mais emocionantes do dia 16 irão ocorrer nas cidades de Marselha, Toulouse (ambas no sul) e Estrasburgo (leste). Essas localidades são governadas pelos conservadores, mas podem cair nas mãos da esquerda.

Para os socialistas e o UMP, a semana será de busca por apoios no segundo turno, especialmente o do Movimento Democrático (Modem), cujo líder, François Bayrou, foi o terceiro colocado na eleição presidencial de 2007 e até agora não quis apoiar nem a esquerda nem Sarkozy, para não subestimar o resultado.

"Estou convencido de que este voto, que em geral se encaminhou para a esquerda, não foi um voto de apoio aos socialistas, mas um voto de alerta contra os que estão no poder", afirmou.

O instituto Opinionway disse que 27 por cento dos votantes quiseram punir o governo por seu mau desempenho, enquanto 56 por cento afirmaram não estar pensando nisso.

O primeiro-ministro François Fillon disse que o governo manterá as propostas de reformas, apesar da derrota eleitoral, e acusou os adversários de exacerbarem tensões nacionais para tentar obter vantagens locais.

"O que está em jogo hoje é a administração das nossas cidades, aldeias e províncias", disse ele.

A direita conseguiu ainda algumas vitórias isoladas, notavelmente em Bordeaux, onde o ex-premiê Alain Juppé se reelegeu prefeito com ampla margem. Dos 13 ministros que disputavam prefeituras (na França pode-se acumular os cargos), 6 venceram, e os outros 7 passaram ao segundo turno.

Reuters Fe

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