Hillary promete lutar contra projeto "insultante" sobre aborto

sexta-feira, 18 de julho de 2008 19:46 BRT
 

Por Michelle Nichols

NOVA YORK (Reuters) - Um projeto do governo Bush que qualifica vários métodos contraceptivos como aborto deve ser combatido por configurar um "insulto gratuito e desnecessário" às mulheres, disse na sexta-feira a senadora democrata Hillary Clinton.

O projeto corta verbas federais para hospitais e Estados onde os serviços médicos são obrigados a oferecer contracepção e aborto legal às pacientes. Grupos de planejamento familiar se opuseram à proposta.

"Não vamos aceitar que esta agenda radical e ideológica faça voltar o relógio dos direitos da mulher", disse a ex-pré-candidata a presidente, em entrevista coletiva num hospital de Nova York. "As mulheres veriam sua cobertura para anticoncepcionais desaparecer da noite para o dia."

Hillary disse ter escrito com a colega de bancada Patty Murray uma carta ao secretário de Saúde, Mike Leavitt, pedindo a ele que reconsidere o projeto. Ela também pediu às pessoas que participem de um abaixo-assinado contra a medida, disponível em seu site www.hillaryclinton.com.

"Nosso primeiro esforço é para fazer o governo Bush rescindir o regulamento, não publicá-lo em sua forma atual", disse Hillary. "Caso não dê certo, vamos buscar medidas legislativas que podemos tomar para evitar que este regulamento entre em vigor algum dia."

Um memorando obtido nesta semana pela Reuters -- aparentemente o esboço de uma portaria do Departamento de Saúde e Serviços Humanos -- define como aborto qualquer procedimento, inclusive medicamentos comuns, "que resultem no encerramento da vida de um ser humano 'in utero' entre a concepção e o nascimento natural, seja antes ou depois da implantação (no útero)".

A concepção ocorre quando o espermatozóide encontra o óvulo nas trompas de Falópio. O óvulo fertilizado então leva três a quatro dias para se implantar no útero. Vários métodos anticoncepcionais, como o DIU ou a pílula, interferem nesse processo.