"Não há mais tempo a perder" em Mianmar, dizem grupos de ajuda

sábado, 24 de maio de 2008 11:06 BRT
 

Por Aung Hla Tun YANGON (Reuters) - "Não há tempo a perder" para ajudar os sobreviventes do ciclone em Mianmar, disseram autoridades no sábado, depois que a junta militar que governa o país prometeu que autorizaria a entrada de mais ajuda estrangeira.

A junta, criticada por atrasar uma operação coordenada de ajuda para as cerca de 2,4 milhões de vítimas deixadas desamparadas por causa do ciclone Nargis há três semanas, prosseguiu no sábado, nas áreas atingidas, com um referendo sobre uma constituição preparada pelo Exército.

O comparecimento foi pequeno no delta arrozeiro do rio Irrawaddy e em áreas dentro e nos arredores da antiga capital Yangon, severamente afetada pela tempestade que deixou 134 mil pessoas mortas ou desaparecidas.

Em um aparente recuo para alavancar a ajuda internacional, o líder da junta, general Than Shwe assegurou ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na sexta-feira, que Mianmar permitiria a entrada de especialistas "de todas as nacionalidades."

"Nós não temos mais tempo a perder, então é imperativo que as autoridades de Mianmar forneçam imediatamente à comunidade internacional os detalhes práticos do acordo", disse o chefe da área de assistência da União Européia, Louis Michel.

Ban, que se encontrou com Tan Shwe em sua isolada nova capital, Naypydaw, a 390 quilômetros ao norte de Yangon, afirmou depois esperar que o acordo sobre os especialistas "possa produzir resultados rapidamente."

Uma voluntária birmanesa de 39 anos, que retornou do exterior para ajudar nos esforços de assistência, estava cética.

"Eu estou preocupada que o governo aperte as regras depois, porque eles acham que já cederam o bastante", disse ela.

Em Yangon, no sábado, as filas nos locais de votação eram pequenas, uma vez que muitos moradores votaram com antecedência, disseram autoridades. A líder oposicionista presa e ganhadora do Nobel, Aung San Suu Kyi, pôde votar na sexta-feira na casa onde cumpre prisão domiciliar.

No entanto, a votação de sábado terá pouco impacto no destino do referendo, que, segundo críticos, ampliará o domínio dos militares.

A nova Constituição teve aprovação de 92,4 por cento dos votos em 10 de maio, em partes do país que não foram atingidas pelo ciclone.