Petrobras terá desafio tecnológico para produzir em Tupi

quinta-feira, 8 de novembro de 2007 19:35 BRST
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Somente por volta de 2011 a Petrobras terá condições de instalar um poço-piloto de produção no campo gigante de Tupi, na bacia de Santos, para avaliar a sua comercialidade, e mesmo assim ainda terá que desenvolver tecnologia para tornar a nova descoberta viável.

De acordo com o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, o esforço de tecnologia será no sentido de reduzir o custo de produção em águas ultraprofundas, como é o caso de Tupi, que possui entre 5 e 8 bilhões de barris de reservas em profundidade entre 4,5 a 7 mil metros. Hoje, a Petrobras produz no máximo a 2,7 mil metros.

"Nossa intenção é implantar um piloto para produzir 100 mil barris por dia de petróleo e gás o mais rápido possível, possivelmente em 2010, 2011", afirmou Estrella. "Quando for declarado comercial, o campo mudará de nome como os demais campos da companhia para o nome de um peixe, ou de um molusco", brincou Estrella, indicando ser possível uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O desafio, segundo Estrella, será a utilização do gás natural encontrado no reservatório localizado a 250 quilômetros da costa.

Ele explicou que algumas alternativas estão sendo estudadas, como plantas de liquefação flutuantes, que receberiam o gás dos poços, que depois de liquefeito seria transportado para terra por navios. Outra opção seria a geração de eletricidade em uma termelétrica flutuante, com transmissão de energia por meio de cabos submarinos.

O diretor não soube avaliar o valor do investimento, que não estava previsto no Plano Estratégico da companhia até 2012, mas lembrou que em profundidades menores o custo de desenvolvimento de um campo que produz cerca de 150 mil barris diários é de cerca de 1,2 bilhão de dólares. "Mas com certeza esse seria bem mais caro", afirmou. "Quando duplica a profundidade, triplica o custo".

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, estimou que o Plano Estratégico terá que ser revisto para incluir a nova realidade da empresa, que poderá se situar entre os 10 maiores produtores de petróleo do mundo se conseguir retirar o óleo que estima possuir na camada pré-sal (ultraprofunda) no Sul e Sudeste do país, numa faixa de extensão de 800 quilômetros por até 200 quilômetros de largura.

De 15 poços feitos na camada pré-sal, oito indicaram a existência de óleo, informou Gabrielli.   Continuação...