11 de Junho de 2008 / às 15:14 / 9 anos atrás

Boom de commodities não cria investimentos diretos

Por Jeremy Gaunt

LONDRES (Reuters) - Conta-se, nos círculos financeiros, uma história segundo a qual, durante a Corrida do Ouro nos EUA, não foram os mineiros que ganharam dinheiro, mas as pessoas que lhes venderam pás.

Algo do tipo pode ser dito hoje, quando muitos participantes dos mercados mundiais lucram com o boom do petróleo, dos metais, dos minérios e dos produtos agrícolas, ampliando seus investimentos na periferia, e não no centro do fenômeno.

Isso não significa dizer que os negociantes de commodities não estejam faturando alto --o preço do cobre elevou-se 18 por cento nos últimos 12 meses, o do milho, 51 por cento, e o do petróleo, como se sabe, 38 por cento.

Muitos fundos de hedge e outros tipos de fundo que optaram por investimentos alternativos faturaram grandes somas.

No entanto, nem todos os investidores desejam ou têm permissão para colocar seu dinheiro diretamente em commodities, ou porque as procurações de seus clientes proíbem que o façam ou porque a natureza do mercado de futuros os impede.

Essas são, pode-se dizer, as empresas de investimento "mainstream", que não se deixam atrair pelo potencialmente volátil mercado de futuros.

"A lógica tradicional nos ensina que as commodities não são um bem financeiro", afirmou Andrew Milligan, chefe da área de estratégia global da administradora britânica de fundos Standard Life Investment. "Não há rendimento a partir das commodities."

Com a frase, Milligan deseja deixar claro que, não obstante poder gerar lucros, o mercado de futuros não dá retornos como o fazem as ações em bolsa, os títulos de dívida e o dinheiro, nos quais há um fluxo de ganho, dividendos, bônus ou uma mera taxa de juros.

DE OLHO NA PÁ

A tendência principal entre os investidores que não desejam ingressar diretamente na seara do mercado de futuros é recorrer à lógica da anedota sobre a Corrida do Ouro. Em outras palavras, trata-se de procurar investimentos que seriam beneficiados pelo boom das commodities.

Neste ano, o fenômeno pode ser percebido por meio da performance extraordinária de alguns nichos das bolsas de valores em meio a um cenário no qual os índices mantiveram-se em grande parte no negativo.

O índice europeu de recursos básicos DJ STOXX, por exemplo, rendeu mais de 5 por cento nos últimos 12 meses. O DJ STOXX 600, de outro lado, acumula uma queda de quase 16 por cento.

A aposta em uma determinada ação mostrou-se ainda mais lucrativa. Os papéis da BHP Billiton, o maior grupo minerador do mundo, subiram mais de 19 por cento.

Uma tendência mais recente é a de procurar por empresas prestadoras de serviço como as fabricantes de plataformas de petróleo e as empresas especializadas em softwares.

Isso deve ocorrer principalmente no setor agrícola, onde é difícil para os investidores aproveitarem-se do aquecimento dessa fatia do mercado porque não há grandes oportunidades de lucrar diretamente.

Neil Dwane, diretor-executivo da área de investimento da RCM na Europa, disse que empresas como a sua precisam encontrar oportunidades de investimento por meio de fabricantes de materiais usados na agricultura.

"A mensagem subliminar do boom agrícola determina que olhemos, em potencial, para empresas como a Syngenta e a Bayer, que possuem grandes negócios na área de fertilizantes, pesticidas e sementes", afirmou.

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