Boom de commodities não cria investimentos diretos

quarta-feira, 11 de junho de 2008 12:11 BRT
 

Por Jeremy Gaunt

LONDRES (Reuters) - Conta-se, nos círculos financeiros, uma história segundo a qual, durante a Corrida do Ouro nos EUA, não foram os mineiros que ganharam dinheiro, mas as pessoas que lhes venderam pás.

Algo do tipo pode ser dito hoje, quando muitos participantes dos mercados mundiais lucram com o boom do petróleo, dos metais, dos minérios e dos produtos agrícolas, ampliando seus investimentos na periferia, e não no centro do fenômeno.

Isso não significa dizer que os negociantes de commodities não estejam faturando alto --o preço do cobre elevou-se 18 por cento nos últimos 12 meses, o do milho, 51 por cento, e o do petróleo, como se sabe, 38 por cento.

Muitos fundos de hedge e outros tipos de fundo que optaram por investimentos alternativos faturaram grandes somas.

No entanto, nem todos os investidores desejam ou têm permissão para colocar seu dinheiro diretamente em commodities, ou porque as procurações de seus clientes proíbem que o façam ou porque a natureza do mercado de futuros os impede.

Essas são, pode-se dizer, as empresas de investimento "mainstream", que não se deixam atrair pelo potencialmente volátil mercado de futuros.

"A lógica tradicional nos ensina que as commodities não são um bem financeiro", afirmou Andrew Milligan, chefe da área de estratégia global da administradora britânica de fundos Standard Life Investment. "Não há rendimento a partir das commodities."

Com a frase, Milligan deseja deixar claro que, não obstante poder gerar lucros, o mercado de futuros não dá retornos como o fazem as ações em bolsa, os títulos de dívida e o dinheiro, nos quais há um fluxo de ganho, dividendos, bônus ou uma mera taxa de juros.   Continuação...