Líbia aceita desculpas da Itália por Maomé em camiseta

sexta-feira, 9 de maio de 2008 19:11 BRT
 

Por Gavin Jones

ROMA, 9 de maio (Reuters) - A Líbia aceitou na sexta-feira as desculpas de um ministro italiano que em 2006 usou uma camiseta que ofendeu os muçulmanos. Trípoli havia alertado para "repercussões" da inclusão no novo governo desse político de um partido antiimigração.

Roberto Calderoli, da Liga Norte, foi anunciado nesta semana como membro do novo gabinete de Silvio Berlusconi, que governa a Itália pela terceira vez.

Em nota, a Embaixada da Líbia em Roma diz ter recebido "com satisfação [...] a declaração pública de pesar" feita por Calderoli, o que, junto com outros contatos com autoridades italianas, permitiu que Trípoli considerasse que "o caso foi encerrado."

Para evitar uma crise diplomática e eventuais sanções energéticas da Líbia contra a Itália, Berlusconi havia dito antes que seria possível "esclarecer e acalmar a situação."

Calderoli se afastou do segundo governo de Berlusconi, em 2006, depois de usar uma camiseta que reproduzia uma polêmica caricatura dinamarquesa alusiva ao profeta Maomé, cuja publicação havia causado protestos em todo o mundo islâmico.

Na época, ele foi considerado culpado pelos distúrbios ocorridos em frente ao consulado italiano em Benghazi (Líbia).

Trípoli disse que haveria "consequências catastróficas" se Calderoli voltasse a ser ministro, o que ocorreu na quinta-feira. A Líbia ameaçou não mais cooperar com Roma para impedir o fluxo de imigrantes clandestinos em direção à Itália.