23 de Agosto de 2008 / às 20:19 / 9 anos atrás

ANÁLISE-Biden soma experiência e sinaliza táticas mais rígidas

Por John Whitesides

DENVER (Reuters) - O democrata Barack Obama escolheu a experiência e a maturidade no lugar de um rosto novo ao apontar Joseph Biden como seu vice de chapa neste sábado, esperando ampliar seu apelo com uma escolha pragmática que dê arrimo às suas principais fraquezas.

Biden reforça o campo de política externa e traz o currículo de um veterano de Washington para a chapa democrática liderada por Obama, de 47 anos, senador por Illinois em seu primeiro mandato acossado por questionamentos sobre seu preparo para ser comandante-em-chefe dos EUA.

Biden, de 65 anos, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado e um dos pesos-pesados do partido em política externa, pode ajudar a responder às críticas do rival republicano John McCain de que Obama é muito inexperiente para que o Salão Oval (escritório do presidente) lhe seja confiado.

Em seu sexto mandato, o verborrágico senador de Delaware também possui a disposição para se engajar no embate político que alguns democratas temem faltar a Obama. A escolha acontece no momento em que a campanha de Obama volta seus ataques a McCain e as pesquisas mostram uma corrida apertada à eleição de 4 de novembro.

"Obama reconheceu o lapso em segurança nacional e a necessidade de bater mais forte em McCain, e escolheu o sujeito que pode mais rapidamente ajudá-lo nas duas coisas", disse o conselheiro democrata Doug Schoen, um ex-pesquisador de opiniões que trabalhou para o ex-presidente Bill Clinton.

Obama, que obteve a indicação com uma plataforma de mudança em Washington e um novo enfoque de governo, preteriu jovens desconhecidos como o governador da Virgínia Tim Kaine ou a governadora do Kansas Kathleen Sebelius e nomes mais moderados como o senador de Indiana Evan Bayh.

A escolha de Kaine ou Sebelius teria levado à crítica de que a chapa democrata seria inexperiente demais em política externa e segurança nacional. Bayh havia atiçado a oposição de grupos liberais descontentes com seu histórico de moderação apartidária e seu apoio de primeira hora à guerra do Iraque.

Obama também preteriu sua rival nas primárias, a senadora de Nova York Hillary Clinton, cuja escolha teria unido o partido mas abriria caminho para mais tensões e dramas do que Obama aparentemente poderia suportar.

Biden é um católico de origem proletária -- dois grupos demográficos que Obama tem lutado para conquistar -- que se revelou um debatedor dinâmico e aguerrido durante sua fracassada batalha pela indicação democrata à presidência este ano.

Ele se mostrou tão confortável e hábil atacando os republicanos quanto discutindo minúcias da política no Oriente Médio, o envolvimento e a retirada do Iraque.

"UMA CAMPANHA DURA"

"Não deveria haver dúvida que de esta vai ser uma campanha dura daqui em diante, e Biden sabe lutar. Tenho certeza de que esse foi um fator de peso", disse Simon Rosenberg, chefe do grupo de apoio democrata NDN.

Biden apoiou a autorização à ação militar no Iraque em 2002, mas logo se tornou um crítico feroz da guerra e do apoio de McCain ao envolvimento local dos EUA, propondo um plano de partilha do Iraque.

Os republicanos rapidamente criticaram a escolha de Biden e declararam que ela ressalta a inexperiência que Obama esperava minimizar. A campanha de McCain lançou um comercial que mostra Biden criticando a ânsia de Obama pela Casa Branca durante as primárias.

"Esta é uma admissão da parte de Barack Obama de que ele não tem experiência para ser presidente. Mais do que um vice-presidente, ele procura uma muleta ou um tutor", disse o conselheiro republicano Kevin Madden.

A escolha também traz riscos para Obama. Muitos republicanos -- e alguns democratas -- se perguntam quando Biden vai retomar seu longo histórico de gafes e trapalhadas.

A corrida pela indicação democrata de Biden em 1988 foi abreviada quando ele plagiou um discurso do político do partido trabalhista britânico Neil Kinnock. Sua campanha de 2008 teve um início tumultuado quando ele descreveu Obama como "articulado, brilhante e limpo", comentários vistos como condescendentes diante de um candidato negro.

"Seu cérebro é um trunfo, mas sua boca é uma grande desvantagem. Quando esta última começa a dominar o primeiro, e inevitavelmente irá, os democratas terão um problema nas mãos", disse Madden.

Historicamente, vice-presidentes fazem pouca diferença no resultado das eleições presidenciais, embora os dois últimos vice-presidentes -- o democrata Al Gore e o republicano Dick Cheney -- tenham desempenhado papéis influentes e redefinido o cargo.

Enquanto escolhas como Kaine da Virgínia e Bayh de Indiana teriam dado a Obama um apoio em estados cruciais, a Delaware de Biden é um reduto democrata. Mas a escolha de Biden objetivou mais a obtenção de um esteio político do que uma ajuda geográfica.

"É uma boa escolha. Minha dúvida é 'este sujeito vai se encaixar?,"' disse Schoen. "Sua postura às vezes é um pouco moralista e condescendente. Ninguém sabe como tudo vai transcorrer."

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