Enviado da ONU volta a Mianmar

quinta-feira, 6 de março de 2008 09:50 BRT
 

BANGCOC (Reuters) - O enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) Ibrahim Gambari chegou na quinta-feira a Mianmar, em meio a um otimismo moderado sobre sua missão de convencer a junta militar a iniciar um diálogo com a oposição a respeito de reformas políticas.

Será o primeiro encontro direto com os generais governantes desde que o regime anunciou de forma inesperada, em fevereiro, a realização de um referendo constitucional em maio e de eleições gerais em 2010.

"Gambari deveria dizer aos generais que induzir uma população temerosa a um referendo encenado não vai impulsionar a democracia ou a reconciliação na Birmânia", disse nota assinada por Brad Adams, diretor para Ásia da ONG Human Rights Watch, citando o país por seu antigo nome.

"Um referendo sob tais condições repressivas só irá cimentar a continuação do regime militar", acrescentou.

Essa é a quinta visita de Gambari a Mianmar desde sua indicação para o cargo, no começo de 2006, e a terceira desde a violenta repressão militar a manifestantes pró-democracia, em setembro.

Os fatos de a líder oposicionista Aung San Suu Kyi continuar em prisão domiciliar e de a oposição boicotar o atual processo constituinte levam muitos governos estrangeiros a rejeitarem a legitimidade da nova Carta e do cronograma eleitoral.

A Liga Nacional pela Democracia, partido de Suu Kyi, criticou o processo, mas não chegou a defender o voto "não" no referendo.

Em visitas anteriores, Gambari pediu à junta que liberte todos os presos políticos e que inclua a oposição e minorias étnicas no processo constituinte, no que aparentemente não foi atendido.

Gambari deve se encontrar novamente com Suu Kyi durante sua visita, mas o resto da agenda é mantido em sigilo.

(Reportagem de Aung Hla Tun)