11 de Março de 2008 / às 14:23 / 10 anos atrás

Musharraf pede reunião de Assembléia oposicionista

Por Zeeshan Haider

ISLAMABAD, 11 de março (Reuters) - O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, convocou na terça-feira a Assembléia Nacional para se reunir no dia 17, agora com maioria da oposição, vencedora da eleição parlamentar de dezembro.

O presidente, que assumiu o poder num golpe militar em 1999, enfrenta agora a perspectiva de ter de convidar a oposição a formar um novo governo, o que pode significar sua queda. Mesmo assim, ele disse que pretende reunir a Assembléia Nacional e as assembléias provinciais assim que possível.

“Acabo de assinar a convocação da Assembléia Nacional para segunda-feira, 17 de março”, disse ele num seminário em Islamabad, um dia depois de ser oficialmente informado do resultado eleitoral.

O Partido do Povo do Paquistão (PPP), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada em dezembro, conquistou a maior bancada na Assembléia, seguido pelo partido de Nawaz Sharif, que foi primeiro-ministro derrubado por Musharraf em 1999.

No domingo, os dois partidos acertaram a formação de uma coalizão e prometeram reconduzir a seus cargos juízes que haviam sido afastados por Musharraf no começo de novembro, durante as seis semanas do estado de emergência no país.

Fontes partidárias disseram que Asif Ali Zardari, viúvo e sucessor político de Bhutto, anunciaria o nome do PPP ao cargo de premiê depois que Musharraf convocasse a Assembléia.

A restituição dos juízes ameaça o mandato de Musharraf, pois eles podem retomar os processos contra a reeleição dele, em outubro, quando o presidente ainda detinha o posto de general do Exército --razão pela qual seu mandato foi posto em dúvida.

Aliados ocidentais de Musharraf e vizinhos do Paquistão temem um confronto entre o presidente e o novo governo, o que pode aumentar a instabilidade no país, que tem armas nucleares e já sofre uma onda de atentados suicidas cometidos por militantes islâmicos.

Na terça-feira, dois carros-bomba mataram ao menos 24 pessoas e feriram dezenas em Lahore. Desde o começo de 2008, já são mais de 500 mortes em atentados.

Sharif exige a renúncia de Musharraf, enquanto Zardari é menos explícito. Ambos os líderes prometem banir a participação dos militares na política, num país que passou mais de metade dos seus 60 anos de vida independente sendo governado por generais.

O braço-direito de Zardari, Makhdoom Amin Fahim, vinha sendo cotado para se tornar primeiro-ministro, mas suas chances diminuíram devido às objeções do partido de Sharif a contatos que ele manteve com Musharraf.

O empresário Ahmed Mukhtar, ex-ministro do Comércio, aparece agora como forte candidato, mas Zardari é incentivado por seguidores a assumir pessoalmente o governo depois de disputar uma eleição suplementar. O viúvo de Bhutto atualmente é inelegível por não ocupar vaga na Assembléia Nacional.

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