12 de Dezembro de 2007 / às 23:29 / 10 anos atrás

Oposição boliviana prepara declaração de autonomia regional

Por Carlos Alberto Quiroga

LA PAZ (Reuters) - O governo esquerdista da Bolívia ameaçou na quarta-feira usar a força caso quatro Departamentos (Estados) oposicionistas levem adiante seu plano de declarar autonomia no fim de semana.

Enquanto o presidente Evo Morales prepara uma grande festa popular em La Paz para celebrar a nova Constituição, no sábado, os governadores de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando nomearam assembléias que no mesmo dia votarão uma declaração de rompimento de relações com o governo central.

“Nossa primeira opção é o diálogo, mas se isso falhar, a força da lei vai agir”, disse o ministro de Governo, Alfredo Rada, a jornalistas em frente ao palácio presidencial em La Paz.

O vice-ministro Rubén Gamarra disse em entrevista coletiva pela TV que “é dever de todos os bolivianos combater tais atos de sedição e separatismo”. “Não permitiremos que nenhum Departamento, município ou líder cívico ataque a unidade da nossa pátria, isso está claro.”

O governo enviou reforços policiais ao Departamento de Santa Cruz, o mais rico do país e principal reduto da oposição, no leste. O porta-voz Alex Contreras disse que o objetivo da força é proteger instituições públicas --algumas das quais invadidas por manifestantes.

O governador de Beni (norte), Ernesto Suárez, disse a uma rádio local que assembléias vão se reunir no sábado nas quatro regiões rebeldes para aprovar os estatutos de autonomia. A imprensa local disse que os governadores assumirão o controle sobre temas como arrecadação fiscal e distribuição fundiária.

A Constituição recém-aprovada dá mais autonomia aos Departamentos e aos indígenas bolivianos, mas os quatro Departamentos, todos governados pela oposição, querem criar mecanismos próprios que levem à sua autonomia.

O governo de Morales, primeiro presidente indígena da Bolívia, é marcado por relações tensas com a elite do país. Alguns líderes cívicos de Santa Cruz estão em greve de fome há mais de uma semana, exigindo maior autonomia.

No Departamento de Santa Cruz, que ocupa um terço do território boliviano, ficam quase todas as terras improdutivas e supostamente ilegais que Morales espera usar numa reforma agrária.

A nova Constituição só entrará em vigor depois de um referendo nacional sobre um artigo pendente, de uma votação final na Constituinte e de um novo referendo sobre o texto integral.

REUTERS ES

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