Lula quer Planalto longe da operação da PF, julgada êxito--fonte

segunda-feira, 14 de julho de 2008 20:53 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Em reunião nesta segunda-feira com os ministros da coordenação política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, "exitosa, consistente e dentro da legalidade", disse fonte do Planalto.

O governo tenta afastar do Palácio do Planalto os problemas gerados pela operação, que levou à prisão o banqueiro Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Todos já foram soltos por habeas corpus da Justiça.

Para o governo, os desdobramentos das investigações dizem respeito à Justiça e à própria Polícia Federal. A divulgação de notas oficiais pelo chefe do gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) fazem parte dessa estratégia.

Carvalho reconheceu que forneceu informação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência ao advogado e ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), citado pela PF como integrante do esquema de Daniel Dantas. Negou, entretanto, ter praticado tráfico de influência para o petista junto à PF e ao Ministério da Justiça. Já a Abin, ligada diretamente à Presidência da República, informou por meio de comunicado que não influenciou as apurações do caso.

Segundo fonte do Palácio do Planalto, o presidente concordou que a Polícia Federal cometeu erros, como o favorecimento da TV Globo na cobertura da operação. Ponderou, entretanto, que isso não comprometerá os resultados das investigações.

Além do presidente Lula, participaram da reunião o vice-presidente José Alencar e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria-geral da Presidência), Franklin Martins (Comunicação Social), Tarso Genro (Justiça), Paulo Bernardo (Planejamento) e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais). Gilberto Carvalho também esteve presente.

Na reunião, ficou definido ainda que os ministros com gabinete no Palácio do Planalto terão de seguir regras de conduta para participar das eleições municipais. O manual será discutido em uma próxima reunião, que ainda não foi agendada.

Os demais ministros poderão participar livremente das eleições. O presidente cobrará, no entanto, cautela. Quer evitar que essa atuação gere ressentimentos entre integrantes da base aliada no Congresso. Diversos parlamentares são candidatos, e podem culpar o Executivo por eventuais derrotas. (Reportagem de Fernando Exman)