Fidel Castro critica líderes socialistas da América Latina

domingo, 11 de novembro de 2007 16:01 BRST
 

Por Marc Frank

HAVANA (Reuters) - O líder cubano convalescente Fidel Castro criticou abertamente, pela primeira vez, os presidentes de esquerda da América Latina no domingo.

Fidel também elogiou o presidente venezuelano Hugo Chávez e seus aliados revolucionários regionais em uma nota divulgada pela mídia oficial cubana na Cúpula Ibero-Americana, em Santiago, no Chile.

Quase todos os 19 líderes que compareceram à cúpula são de esquerda, mas o debate sobre o futuro da região e os discursos de encerramento no sábado foram marcados por disputas verbais inflamadas entre Chávez e líderes espanhóis.

"Ouvi com tristeza os discursos feitos pelas posições esquerdistas tradicionais na Cúpula Ibero-Americana", escreveu Fidel.

Ele se se referia, aparentemente, aos presidentes do Brasil, Chile e Uruguai, que defenderam a democracia social dentro do capitalismo.

"Fiquei orgulhoso dos pronunciamentos de vários líderes, revolucionários e corajosos", disse ele sobre os chefes de Estado da Venezuela, Bolívia e Nicarágua, que acreditam que as estruturas de governo e de economia devem ser radicalmente alteradas e que uma nova relação com os Estados Unidos deve ser articulada.

"A crítica de Chávez à Europa foi devastadora. A Europa, que precisamente tentou ditar lições nessa Cúpula Ibero-Americana", disse Fidel.

O rei Juan Carlos disse a Chávez no sábado para "se calar", depois que o líder venezuelano tentou interromper um discurso do primeiro-ministro socialista espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

Zapatero estava criticando Chávez por ter chamado o ex-primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, de "fascista".

O líder cubano de 81 anos se recupera de uma série de cirurgias no intestino que o forçaram a entregar o poder interinamente a seu irmão, Raúl Castro, em julho de 2006.