Rússia processa nove por assassinato de jornalista anti-Kremlin

quarta-feira, 17 de outubro de 2007 09:22 BRST
 

MOSCOU (Reuters) - Promotores russos apresentaram denúncia contra nove pessoas, inclusive um tenente-coronel do serviço de segurança do país, por suposto envolvimento no assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, disse na quarta-feira a agência de notícias Interfax.

Politkovskaya, que fazia críticas contundentes ao presidente Vladimir Putin, foi morta a tiros em outubro de 2006 no prédio onde vivia, em Moscou. O crime provocou indignação internacional, criando forte pressão para que o governo resolvesse o crime.

Vyacheslav Smirnov, funcionário da Procuradoria Geral russa, disse a um tribunal de Moscou que "nove pessoas foram denunciadas no processo criminal", segundo a Interfax.

Agências russas citaram uma fonte próxima à investigação que incluiu entre os processados o tenente-coronel Pavel Ryaguzov, do Serviço Federal de Segurança, acusado de abuso de autoridade.

Ryaguzov foi detido em agosto, por outro caso, mas seu nome também havia sido citado por investigadores que atuam no caso Politkovskaya.

O agente teria informado detalhes do endereço da jornalista a outro suspeito, que por sua vez entregou esse dado ao pistoleiro, disseram investigadores a agências russas.

O procurador-geral Yuri Chaika anunciou em agosto a prisão de dez suspeitos no caso Politkovskaya, mas nenhum deles foi indiciado na época. Vários acabaram sendo soltos.

Chaika disse que o crime foi tramado no exterior por forças anti-Kremlin que tentam desacreditar a Rússia, mas não apresentou provas disso.

No começo de setembro, o jornal em que Politkovskaya trabalhava manifestou preocupação com o afastamento do principal investigador do caso, o que despertou suspeitas de interferência por parte de setores do Kremlin.

REUTERS FE