Presidente da Ucrânia passou por 24 cirurgias após envenenamento

sexta-feira, 5 de outubro de 2007 21:18 BRT
 

PARIS, 5 de outubro (Reuters) - O presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, que teve o rosto desfigurado por um envenenamento por dioxina na época da "Revolução Laranja", já se submeteu secretamente a 24 cirurgias desde então, disse ele em entrevista publicada na sexta-feira.

Yushchenko, 53 anos, diz saber quem o envenenou, mas não citou nomes.

Ele foi contaminado durante a campanha presidencial de 2004, quando encarnava o bloco político pró-Ocidente contra o hoje primeiro-ministro Viktor Yanukovich, à época apoiado por Moscou.

O mundo todo observou intrigado, há três anos, como o rosto jovial do ex-presidente do Banco Central rapidamente ficou macilento e esburacado. Mais ou menos ao mesmo tempo, centenas de milhares de manifestantes vestidos de laranja desafiavam a neve durante três semanas na praça da Independência, em Kiev, para acusar a campanha de Yanukovich de ter fraudado a eleição.

A votação foi repetida por ordem da Suprema Corte, e Yushchenko acabou sendo eleito.

"Há dois anos, eu estava muito fraco. Era necessário um esforço titânico simplesmente para erguer minha mão. Nos últimos dois anos, tive 24 operações", disse Yushchenko em entrevista a uma TV francesa. "Esta é a primeira vez que estou dizendo isso. Sempre me operava nas minhas folgas."

Atualmente, o presidente ucraniano parece mais saudável do que na época do envenenamento. Ele sempre disse saber exatamente quando e onde sofreu o ataque --supostamente ocorrido ao sair para jantar em Kiev com funcionários dos serviços de segurança do país.

Agora, ele diz também que sabe quem o envenenou e quem deu as ordens para isso. Mas preferiu não citar nomes, já que as investigações continuam. "Todas as pessoas estão na Rússia. É isso que está retardando a investigação", declarou.

Em setembro, Yushchenko disse que a Rússia estava prejudicando a investigação ao não fornecer amostras de dioxina para comparar com o veneno usado contra ele. A imprensa russa relatou que as autoridades locais haviam prometido cooperação.