Velório no Quênia acaba em violência; Annan promove diálogo

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 18:18 BRST
 

Por Andrew Cawthorne e Nick Tattersall

NAIRÓBI (Reuters) - A polícia do Quênia usou gás lacrimogêneo na quarta-feira contra jovens que atiravam pedras perto do velório de membros da oposição. No mesmo dia, porém, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan obteve um início positivo em sua missão para tentar mediar a crise política no país.

Em seu primeiro dia no Quênia, Annan convenceu o Movimento Democrático Laranja (ODM, principal partido da oposição) a cancelar as manifestações marcadas para serem retomadas na quinta-feira.

"Atendendo a um pedido da equipe de mediação, cancelamos as atividades planejadas para amanhã", disse William Ruto, dirigente do ODM, a jornalistas após líderes do partido se reunirem com Annan.

Annan esteve com o líder oposicionista Raila Odinga, e antes havia se encontrado com o presidente do Parlamento e com o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, que também tenta mediar a crise. Ainda na quarta-feira, Annan seria recebido pelo presidente Mwai Kibaki, mas o encontro foi cancelado.

O velório de 28 favelados supostamente mortos pela polícia durante manifestações contra o governo teve cenas caóticas. Várias cápsulas de gás lacrimogêneo caíram no campo de futebol de Nairóbi onde Odinga fazia uma oração diante dos caixões.

Depois disso, jovens seguidores da oposição atearam fogo a uma agência de correio perto dali.

"Esta é uma guerra entre o povo do Quênia e um pequeno bando de gente muito sedenta de sangue que deseja se aferrar ao poder a todo custo", disse Odinga à multidão, enquanto a violência tomava conta de uma rodovia próxima. "Vamos nos erguer como um só povo para libertar nosso país."

Cerca de 650 pessoas já morreram desde a eleição de dezembro, que deu um novo mandato ao presidente Mwai Kibaki, acusado pela oposição de ter fraudado o pleito. Pelo menos mais duas pessoas foram mortas numa favela de Nairóbi na manhã de quarta-feira.   Continuação...