Israel sugere "shoah" para palestinos; ataque mata bebê

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008 20:42 BRT
 

Por Nidal Al Mughrabi

GAZA (Reuters) - Uma palestina de 1 ano de idade e um especialista em bombas do Hamas foram mortos na sexta-feira por bombardeios israelenses na Faixa de Gaza, no mesmo dia em que um vice-ministro de Israel alertou para a ocorrência de uma "shoah" caso os palestinos não deixem de disparar foguetes.

Mas assessores disseram que o vice-ministro da Defesa, Matan Vilnai, usou a palavra "shoah" não no seu sentido mais comum, de "holocausto", e sim com o significado de "desastre".

O Hamas, que organizou manifestações contra Israel em Gaza, viu no comentário uma prova de que seus inimigos são "os novos nazistas". Habitualmente, evita-se usar a palavra "shoah" em Israel fora do seu contexto histórico da Segunda Guerra Mundial.

"Quanto mais o fogo dos (foguetes) Qassam se intensificar e quanto maior for o alcance dos foguetes, (mais os palestinos) vão atrair para si uma 'shoah' maior, porque vamos usar todo o nosso poderio para nos defender", disse o vice-ministro Vilnai à Rádio do Exército.

Em três dias de ataques, 35 palestinos morreram, mas na sexta-feira a situação foi ligeiramente mais tranqüila. Um dos bombardeios matou Eyad Al Ashram, que segundo o Hamas era um dos seus maiores especialistas em munições.

Médicos disseram que Malak Al Kafarna, de 1 ano, morreu no hospital, vítima de ferimentos na cabeça provocados por estilhaços quando um míssil atingiu sua casa, ferindo quatro outros civis.

Fontes do Hamas disseram que se tratava de um míssil terra-terra de Israel. Moradores das redondezas disseram que alguns mísseis lançados pelos militantes, com defeito, caíram na própria Faixa de Gaza, em vez de aterrissar em Israel.

Fontes políticas disseram que o primeiro-ministro Ehud Olmert reluta em autorizar uma ofensiva terrestre em grande escala, e fontes de segurança disseram a rádios locais que há planos para uma invasão, mas não iminente.   Continuação...