ONU defende proibição de clones humanos

domingo, 11 de novembro de 2007 16:14 BRST
 

OSLO (Reuters) - O mundo deveria proibir rapidamente a clonagem de humanos e permitir exceções apenas para pesquisas estritamente controladas que ajudem a tratar doenças como diabete e mal de Alzheimer, segundo estudo da ONU publicado no domingo.

Sem uma proibição, os governos teriam de estabelecer medidas legais para impedir "abusos em potencial, preconceito e discriminação" de humanos clonados, disseram os especialistas do Instituto de Estudos Avançados da Universidade da ONU.

"A proibição legal mundial da criação de um clone humano, aliada à liberdade para que países permitam pesquisa terapêutica estritamente controlada, tem a maior viabilidade política entre as opções disponíveis", diz o estudo.

"Qualquer que seja a opção que a comunidade internacional escolher, terá de agir em breve --seja para impedir a clonagem reprodutiva ou para defender os direitos humanos de indivíduos clonados", disse A.H. Zakri, diretor do Instituto, que tem sede em Yokohama, Japão.

Quase todos os governos do mundo se opõem à clonagem humana e mais de 50 países têm legislação que proíbe a clonagem. Mas as negociações para uma proibição internacional, em 2005, não tiveram sucesso, por causa das discordâncias quanto à clonagem com fins de pesquisa, também conhecida como clonagem terapêutica.

A clonagem de pesquisa pode produzir tecidos idênticos aos de uma pessoa, e assim ajudar no tratamento de doenças como derrames, ferimentos na espinha, diabete, mal de Parkinson e mal de Alzheimer, afirma o estudo, divulgado em Oslo.

As Nações Unidas firmaram em 2005 uma declaração sem força de lei para a proibição da clonagem humana, mas o texto contém muitas ambigüidades. "A declaração em si não é uma resposta adequada", disse Brendan Tobin, da Universidade da Irlanda, um dos autores do estudo.

"Isso nos deixou em uma situação em que cientistas de porte podem prosseguir com suas pesquisas e isso provavelmente levará eventualmente a uma clonagem", disse ele à Reuters.

Os autores disseram que as leis deveriam conceder aos clones plenos direitos humanos para protegê-los da discriminação.

Se isso não for feito, em uma disputa por uma herança, por exemplo, um clone poderá perder seu direito de dividir o patrimônio com a pessoa que lhe cedeu seu material genético.

"Da mesma forma que um gêmeo idêntico é um indivíduo, um clone será um indivíduo", disse Tobin.