Mudança climática ameaçará a paz, diz ministro da Alemanha

terça-feira, 23 de outubro de 2007 13:15 BRST
 

Por Erik Kirschbaum

BERLIM (Reuters) - As mudanças climáticas representam uma crescente ameaça à paz mundial e já provocam uma disputa territorial no Ártico capaz de se transformar em uma Guerra Fria, afirmou nesta terça-feira o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier.

É preciso encontrar, agora, soluções políticas para os problemas criados pelo aquecimento da Terra, que ameaça a paz em áreas que vão da África ao Oriente Médio e que incluem até mesmo o Ártico, disse o ministro, em uma conferência sobre a questão.

"Há uma 'Guerra Fria' no Pólo Norte que temos de evitar", afirmou. "As mudanças climáticas representam uma ameaça à paz e à segurança mundiais. As políticas de combate às mudanças climáticas podem e vão se tornar uma parte importante das políticas de paz. Precisamos estar cientes disso e procurar por soluções", acrescentou.

Steinmeier observou com preocupação que um submarino russo havia plantado uma bandeira da Rússia no leito do mar no Pólo Norte, em agosto, reclamando soberania sobre uma área potencialmente rica em recursos energéticos. A Dinamarca também pretende controlar a área do Ártico por meio da Groenlândia, que é sua província.

"Não apenas a Rússia, mas outros países vizinhos também pretendem ter acesso aos combustíveis fósseis dessa região", disse o ministro. "O gelo eterno está se derretendo debaixo do nosso nariz. As mudanças climáticas tornaram possível a exploração de uma área que antes se pensava estar fora de alcance."

O aquecimento global vem derretendo as calotas polares, e governos do mundo todo acreditam ser uma questão de tempo até que seja possível explorar o leito do mar antes inacessível, existente debaixo da camada de gelo que cobre o Ártico.

Segundo leis internacionais, os cinco países que controlam a linha costeira do Ártico -- o Canadá, a Rússia, os EUA, a Noruega e a Dinamarca (via Groenlândia) -- possuem uma zona econômica de 320 quilômetros para além de sua costa.

Mas a Rússia, que na última década faturou alto com a venda de petróleo e gás, pretende ter acesso a uma fatia muito maior do território alegando que o Ártico e a Sibéria estão ligados por meio da cordilheira submarina de Lomonosov.