9 de Março de 2008 / às 13:22 / em 9 anos

Espanhóis votam e Zapatero deve ser reeleito

<p>O primeiro-ministro espanhol, Jos&eacute; Luis Rodr&iacute;guez Zapatero, vota em Madri, em 9 de mar&ccedil;o de 2008. Photo by Sergio Perez</p>

Por Elisabeth O'Leary e Ben Harding

MADRI (Reuters) - Os eleitores espanhóis devem reeleger o Partido Socialista neste domingo em votação que não deverá ter maioria absoluta. Enquanto as campanhas se concentraram na desaceleração da economia, o assassinato de um ex-vereador socialista na sexta-feira, cuja autoria é atribuída à guerrilha basca ETA por todos os partidos políticos, lembrou os eleitores da grande divisão política no país sobre o separatismo basco.

Comentaristas afirmam que o assassinato poderá aumentar o comparecimento dos espanhóis às urnas. O bom tempo em grande parte do país também deve encorajar os eleitores.

Um grande comparecimento --de 75 por cento ou mais-- provavelmente beneficie a esquerda, cujos eleitores são mais suscetíveis à apatia política.

"A convocação, repetida por quase todos os políticos e pela mídia responsável, para um comparecimento em massa tem uma razão a mais: o ETA pediu 'abstenção ativa' como uma maneira de tirar a legitimidade das instituições espanholas", afirmou o jornal espanhol El País em editorial.

Pesquisas mostram o socialista José Luis Rodriguez Zapatero, atual primeiro-ministro, com 43,4 a 43,9 por cento dos votos e Mariano Rajoy, do Partido Popular, com 39,3 a 39,5 por cento --o que não é suficiente para um governo sem apoio de partidos regionais.

Analistas dizem que um comparecimento de menos de 75 por cento deve prejudicar os Socialistas e menos de 70 por cento pode até favorecer uma vitória conservadora.

Zapatero e Rajoy votaram no início da manhã. Zapatero pediu aos eleitores para ensinarem ao ETA um lição, por meio do voto.

"A democracia é fortalecida se todos os cidadãos comparecem à votação", disse, sob aplausos.

Há quatro anos, o então líder da oposição Zapatero, que não estava em primeiro lugar, venceu a eleição com uma onda de votos de eleitores enfurecidos com o Partido Popular (PP), que tentou culpar o movimento separatista basco ETA por um ataque a bomba nas vésperas da eleição, cometido por militantes islâmicos.

A morte do ex-vereador socialista Isaias Carrasco, no País Basco, na sexta-feira coloca mais uma vez uma sombra sobre as eleições espanholas.

Segundo comentaristas políticos, desta vez, o ataque não deverá mudar radicalmente o resultado das eleições após uma campanha dominada por preocupações com o aumento da imigração e o fim do "boom" econômico.

FOCO NA ECONOMIA

Economistas dizem que o crescimento pode cair a 2 por cento neste ano --uma taxa ainda não registrada desde o início dos anos 90-- dos mais de 4 por cento do ano passado, já que uma redução no crédito global prejudica a Espanha, que registra quedas no setor imobiliário, responsável por quase um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) espanhol e dos empregos.

O desemprego, que chegou à maior baixa em 29 anos no ano passado, aumentou quase em 300 mil desde junho, para 2,3 milhões. Espanhóis com dificuldades para pagar financiamentos, estão sofrendo com o aumento de preços de alimentos e combustíveis, que puxaram a inflação para um recorde de 4,4 por cento em fevereiro.

Muitos estão preocupados com o grande influxo de mais de 3 milhões de imigrantes nos últimos oito anos --a maioria do Marrocos, Europa Oriental e América Latina.

(Reportagem adicional de Martin Roberts)

CM

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