Preços dos alimentos continuarão altos nos próximos dez anos-FAO

quinta-feira, 22 de maio de 2008 13:38 BRT
 

PARIS (Reuters) - Os preços das commodities alimentícias vão permanecer altos nos próximos dez anos em comparação com os níveis históricos, mas cairão para bem abaixo dos picos atuais, diz um relatório a ser divulgado na próxima semana pela OCDE e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O relatório não deverá tranquilizar alguns dos países mais pobres do mundo, que já foram atingidos este ano por tumultos e protestos contra a alta vertiginosa dos alimentos básicos como o arroz, nem a população urbana pobre dos países desenvolvidos, nem tampouco aos políticos dos países que lutam para conter a inflação.

Entre 2008 e 2017, a demanda crescente vai manter os preços acima dos níveis históricos, mas bem abaixo dos picos atuais, conclui o relatório Perspectivas Agrícolas da OCDE/FAO, segundo um documento que resume as conclusões do relatório.

O relatório completo deve ser divulgado em 29 de maio, mas um documento ao qual a Reuters teve acesso contém muitos dos elementos principais.

"Na média, durante os dez anos seguintes, a previsão é que os preços nominais dos cereais, arroz e oleaginosas fiquem entre 35 e 65 por cento mais altos que a média dos últimos dez anos", diz o documento.

"Os preços em termos reais estão projetados para ficar entre 10 e 35 por cento mais altos que nos últimos dez anos", diz o relatório.

Os preços de muitos desses alimentos básicos dobraram entre 2005 e 2007 e continuaram a subir em 2008, observou o relatório.

Quanto ao impacto sobre os países em desenvolvimento, a conclusão tirada pela FAO, sediada em Roma, e a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), sediada em Paris, conforme resumida pelo documento, é pessimista:

"Para a população urbana pobre e os principais países em desenvolvimento que importam alimentos, os impactos serão fortemente negativos, na medida em que uma parcela ainda maior de suas receitas já limitadas terá que ser reservada para a alimentação."   Continuação...