Setor agrícola cobra mais concessões industriais na Rodada Doha

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 20:34 BRST
 

Por Raymond Colitt

BRASÍLIA (Reuters) - A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu na segunda-feira ao governo que faça mais concessões nas tarifas industriais para ajudar a superar o impasse na chamada Rodada Doha das negociações da Organização Mundial do Comércio.

Brasil, Índia, África do Sul e outras potências agrícolas pediram na semana passada mais exceções nas reduções tarifárias de bens industriais que estão sendo debatidas. Líderes desses três países se reúnem nesta semana na África do Sul.

Autoridades comerciais dos EUA e da Europa dizem que essa postura dos países em desenvolvimento ameaça a Rodada Doha.

A proposta brasileira para as tarifas industriais é "insuficiente", segundo Gilman Viana Rodrigues, diretor de comércio exterior da CNA. "Se quisermos fazer negócio, temos de oferecer algo em troca", afirmou ele na segunda-feira em entrevista coletiva.

Washington quer maior acesso aos mercados de bens industriais e serviços dos países em desenvolvimento, em troca de concessões na redução dos subsídios a seus exportadores rurais.

EUA e União Européia pretendem continuar usando como base os textos apresentados em julho por mediadores da OMC. Mas muitos países em desenvolvimento estão insatisfeitos com as propostas, enquanto outros, como a Índia, cobram profundas revisões.

Rodrigues disse que a culpa da modesta proposta comercial brasileira não é da Índia ou da África do Sul, e sim do próprio setor industrial brasileiro.

"A indústria é muito conservadora e tem uma defesa radical desta questão tarifária e dos seus produtos. Eu disse a eles: são vocês que estão segurando a rodada", afirmou.