Intelectuais apóiam "missão impossível" de Ivan Valente, do PSOL

quinta-feira, 14 de agosto de 2008 20:05 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Um grupo de intelectuais, na maioria egressos do PT, divulgou nesta quinta-feira um manifesto de apoio à candidatura do deputado federal Ivan Valente (PSOL) à prefeitura de São Paulo. Para os signatários, Valente é opção socialista para combater a polarização PT-PSDB, partidos que lideram a corrida eleitoral na capital paulista.

Sem mencionar diretamente o PT, o documento com 47 assinaturas critica de forma indireta o partido que governa o país, com aliados, desde 2002.

"Essa candidatura à prefeitura de São Paulo vem para resgatar a coerência programática e mostrar que a esquerda socialista brasileira não se rendeu aos encantos do poder", diz o texto.

"A candidatura reafirma projetos e valores que se contrapõem tanto à forma conservadora e elitista de se fazer política quanto àqueles que abandonaram o projeto de mudança e se adaptaram ao jogo tradicional da velha política", completa o documento.

Para o sociólogo Francisco de Oliveira, um dos primeiros intelectuais a romper com o PT, a principal crítica ao petismo é seu distanciamento dos movimentos sociais.

"Se vários que estão assinando este manifesto vieram do PT, mostra que o PT realmente fraudou todo o imenso movimento social que o construiu nos anos 80", afirmou a jornalistas no ato realizado em um hotel de São Paulo.

Para ele, o PT passou a ser um partido de direita, porque endossa o tipo de capitalismo "regressivo" no país.

Nos discursos, os intelectuais admitiram a possibilidade de a candidatura de Ivan Valente "dar traço" ou de se transformar em uma "missão impossível". O candidato tem 1 por cento das intenções de voto na pesquisa Datafolha.

"Não temos medo de falar que somos socialistas", disse Ivan Valente. "O objetivo não é ganhar a todo o custo. Foi o que matou o PT."

Além do sociólogo Francisco de Oliveira, assinam o texto o jurista Fábio Konder Comparato, o geógrafo Aziz AbSaber, o filósofo Paulo Arantes, o jurista Celso Bandeira de Mello, o historiador Jacob Gorender e o crítico literário Roberto Schwartz. (Reportagem de Carmen Munari)