23 de Outubro de 2007 / às 02:02 / 10 anos atrás

Parentes de Pinochet são presos por contas secretas

<p>Foto de arquivo de Augusto Pinochet Hiriart, filho do ditador chileno Augusto Pinochet. Parentes e ex-colaboradores do falecido ditador chileno Augusto Pinochet foram presos para serem julgados pelo suposto desvio de verbas p&uacute;blicas para contas secretas no exterior. Photo by Ivan Alvarado</p>

Por Antonio de la Jara

SANTIAGO (Reuters) - Parentes e ex-colaboradores do falecido ditador chileno Augusto Pinochet foram presos na quinta-feira para serem julgados pelo suposto desvio de verbas públicas para contas secretas no exterior.

Pinochet morreu em 10 de dezembro do ano passado, aos 91 anos, sem jamais ter sido sentenciado pelos casos de violações de direitos humanos em seu regime ou pela descoberta de contas secretas com cerca de 27 milhões de dólares.

Em uma inesperada resolução, o juiz encarregado da investigação das contas, Carlos Cerda, decretou na manhã de quinta-feira a prisão preventiva da viúva do ditador, Lucía Hiriart, e de seus cinco filhos: Augusto, Lucía, Marco Antonio, Jacqueline e Verónica.

"Estando acreditada a existência do delito de malversação de verbas públicas, há presunções fundamentadas de que essas pessoas que são parentes de Augusto José Ramón Pinochet, que em paz descanse, tiveram participação nesse delito", disse Cerda a jornalistas.

Ao todo, o juiz determinou a prisão de 10 civis e 13 ex-militares pelo desvio de 8,2 milhões de dólares entre 1973 e 2003.

A presidente Michelle Bachelet disse que a decisão judicial foi cumprida com ordem e tranqüilidade. "Ninguém no Chile pode achar que não se possam cumprir ordens da Justiça ou estar acima da Justiça. Acho que é preciso ter tranqüilidade e é preciso esperar os fatos. Mas o válido é que, num país onde há estado de direito, a Justiça tem de cumprir seu papel", disse Bachelet.

Os filhos de Pinochet estão provisoriamente detidos numa delegacia no centro de Santiago, diante da qual alguns seguidores do ditador se diziam, em coro, "pinochetistas com muita honra".

Já a viúva, de 84 anos, entrou em choque com a decisão e foi transferida para um hospital militar.

A existência das contas secretas foi divulgada pelo Senado dos EUA em 2004, quando Pinochet já havia conseguido se livrar de todos os processos judiciais por violações a direitos humanos alegando uma suposta demência senil.

"Investigou-se muito, trabalhou-se muito. A nós, juízes, o que interessa é que a Justiça que procuramos fazer (...) gere paz", disse Cerda. O processo em que ele se baseou já tem cerca de 200 mil páginas, nas quais constam provas de que Pinochet chegou a ter 130 contas no exterior, em nome próprio, de parentes e colaboradores.

Pablo Rodríguez, que foi o último advogado de Pinochet, disse que a prisão de parentes e colaboradores do ditador foi ilegal e arbitrária.

"O ministro pode ter qualquer concepção da paz social, mas em todo caso tenho de dizer-lhe que o código não diz que tem que ser a paz social que determine os processos", disse Rodríguez a jornalistas, acrescentando que irá recorrer a instâncias superiores.

Entre os presos há ex-colaboradores e amigos íntimos de Pinochet, como um de seus principais ex-advogados, Ambrosio Rodríguez, seu ex-porta-voz, general da reserva Guillermo Garín, e seu testamenteiro, Oscar Aitken.

Durante a ditadura de Pinochet (1973-1990), cerca de 3.000 pessoas foram mortas ou desapareceram, enquanto outras 28 mil foram torturadas, inclusive Bachelet, segundo dados oficiais.

Contribuíram Erik López e Bianca Frigiani

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