14 de Abril de 2008 / às 23:25 / em 10 anos

Biocombustíveis ameaçam acesso a alimentos na América Latina-FAO

BRASÍLIA (Reuters) - O aumento global na produção de biocombustíveis ameaça a alimentação dos pobres na América Latina, disse a FAO, agência da ONU para agricultura e alimentação, na segunda-feira.

“No curto prazo, é muito provável que a rápida expansão dos agrocombustíveis em nível mundial tenha efeitos importantes sobre a agricultura latino-americana”, disse um documento da FAO.

As lavouras voltadas para os biocombustíveis devem competir com os alimentos por água, terra e investimentos, o que aumentará o preço dos produtos alimentícios e “colocará em risco o acesso à comida dos setores mais pobres”, segundo o relatório apresentado na conferência da FAO para a América Latina e o Caribe.

Uma onda de críticas vem questionando os benefícios ambientais e sociais dos biocombustíveis, o que coloca na defensiva os grandes produtores, como o Brasil.

Representantes da Venezuela, que é rica em petróleo, e de seus aliados Bolívia, Nicarágua e Cuba criticaram duramente os biocombustíveis na conferência de segunda-feira.

“Sem segurança alimentar [para os pobres] não podemos nem pensar em biocombustíveis, criaria enormes déficits alimentares e perturbação social”, disse Gerardo Rojas, vice-ministro de Desenvolvimento Rural da Venezuela.

“É inaceitável que os países pobres, responsáveis por apenas 15 por cento dos carros do mundo, produzam combustíveis limpos para os ricos”, disse o representante cubano, Juan Arsênio Quintero.

“Poderíamos economizar centenas de milhões de dólares e não usar um só hectare com medidas de eficiência energética”, disse Quintero.

As críticas afetam diretamente o Brasil, que tenta difundir a produção de biocombustíveis na América Latina e na África como forma de estimular os pequenos produtores e combater a miséria rural.

José Antonio Marcondes Carvalho, representante do Brasil na FAO, tentou minimizar a pressão dos biocombustíveis sobre os recursos naturais, afirmando que sua produção ocupa apenas 1 por cento das terras brasileiras.

“A verdadeira questão é a pobreza e a má distribuição de renda”, disse Marcondes, defendendo políticas sociais mais eficientes.

O México pediu que os críticos dos biocombustíveis divulgassem mais provas, e a Argentina apresentou planos para aumentar a produção de biocombustíveis, citando grandes benefícios em potencial para seus agricultores.

Reportagem de Raymond Colitt

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