13 de Novembro de 2007 / às 00:31 / 10 anos atrás

Paquistão põe líder da oposição em prisão domiciliar

Por Kamran Haider e Sophie Walker

LAHORE/LONDRES (Reuters) - A polícia paquistanesa colocou a líder oposicionista Benazir Bhutto sob prisão domiciliar durante uma semana a partir da madrugada de terça-feira (noite de segunda no Brasil), enquanto a Commonwealth (comunidade britânica de nações) ameaçou suspender o país caso o presidente Pervez Musharraf não revogue o estado de emergência.

Bhutto, que já foi duas vezes primeira-ministra, pretendia liderar uma “longa marcha” motorizada de 270 quilômetros entre Lahore e a capital, Islamabad, para exigir que o general Musharraf deixe o comando do Exército, revogue o estado de emergência, acate a Constituição e liberte ativistas detidos --vários dos quais de seu partido.

Na segunda-feira, ela pediu aos paquistaneses de todas as tendências que se juntem à carreata a partir da manhã de terça-feira, e disse que o protesto deveria ser mantido mesmo que a polícia a impedisse de participar.

Mas as autoridades anunciaram que a marcha estava proibida, e centenas de policiais montaram barricadas em torno da casa de um dirigente partidário onde ela está hospedada em Lahore.

O chefe da polícia local, Aftab Cheema, disse posteriormente à Reuters em frente à casa que Bhutto que recebeu a notificação de que passará uma semana detida.

Fazana Raja, porta-voz do partido de Bhutto, disse que a manifestação seria mantida. “Definitivamente ela vai tentar vir. Vamos começar nossa procissão daqui, e se tentarem nos impedir toda (a província do) Punjab será um campo de batalha”, afirmou.

A polícia diz que Bhutto poderia ser alvo de um novo atentado suicida, como o que matou 139 pessoas no mês passado, quando ela era recebida de volta após oito anos de auto-exílio.

Na semana passada, a polícia a impediu de sair de sua casa, em Islamabad, para participar de um comício na vizinha Rawalpindi.

Musharraf está sob crescente pressão de seus aliados ocidentais para retomar o caminho da democracia. O estado de emergência decretado no dia 3 permitiu que o presidente suspendesse os direitos políticos da população, demitisse juízes, calasse a imprensa e prendesse milhares de oposicionistas.

A Commonwealth, que reúne 53 países (em geral ex-colônias britânicas), deu até o dia 22 para que Musharraf revogue o estado de emergência ou adote outras medidas para resolver os problemas do país. Caso isso não ocorra, o Paquistão pode ser suspenso do grupo.

Embora a decisão, tomada numa reunião em Londres, seja eminentemente simbólica, ela pode ter implicações para a ajuda ao desenvolvimento do país.

O Paquistão já foi suspenso em 1999, depois do golpe que levou Musharraf ao poder, mas foi readmitido em 2004 depois de reformas democráticas limitadas.

Reportagem adicional de Simon Garnder em Lahore

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