Militares presos admitem ter levado jovens a traficantes

segunda-feira, 16 de junho de 2008 20:11 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Três dos 11 militares do Exército acusados de participar da morte de três jovens do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, e que tiveram prisão decretada pela Justiça do Estado, admitiram ter levado as vítimas para um local sob controle de traficantes rivais aos da Providência, afirmou o delegado Ricardo Dominguez nesta segunda-feira.

Segundo o delegado, que pediu a prisão dos militares, todos os mandados foram cumpridos, e os 11 militares estão "custodiados em uma repartição militar".

O pedido de prisão temporária por 10 dias foi acatado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

"Não resta dúvida, pelo menos até o momento, da participação na morte deles", disse o delegado, responsável pela 4a Delegacia de Polícia, acrescentando que os jovens foram levados pelos militares ao Morro da Mineira, que tem influência de traficantes rivais aos que atuam no Morro da Providência.

"Três (dos 11 presos) apresentaram versão de que levaram os jovens a uma localidade na Mineira, sob controle de traficantes rivais, pois haviam sido ofendidos pelos jovens depois que os abordaram", acrescentou o delegado. Segundo Dominguez, um oficial declarou que a intenção seria dar um "corretivo" nos jovens.

Os corpos das três vítimas, que sofreram disparos de armas de fogo de calibre de grande velocidade, segundo o delegado, foram encontrados no domingo, no Aterro Sanitário de Gramacho, em Duque de Caixas.

Os jovens foram abordados pelos militares, no Morro da Providência (região central da capital), na madrugada de sábado, quando voltavam de um baile funk. Depois, foram levados a um quartel do Exército no Santo Cristo, antes de serem deixados no Morro da Mineira, segundo o delegado. Os militares alegaram que foram desacatados pelos jovens, e por isso teriam sido levados ao quartel.

Na manhã desta segunda-feira, moradores do Morro da Providência e operários que trabalham em uma obra na comunidade fizeram uma manifestação na porta do Comando Militar do Leste contra a ação militar. Durante o enterro das vítimas também houve protesto.

Após o enterro, dezenas de moradores voltaram ao CML. O protesto foi acompanhado por homens do Exército e da polícia militar. Houve confusão quando os manifestantes decidiram furar a barreira de isolamento formada por grades de ferro. Bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral foram lançadas contra eles.   Continuação...