EUA pedem a membros da OMC que parem com "discursos prolixos"

terça-feira, 18 de dezembro de 2007 22:10 BRST
 

WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos pediram na terça-feira aos demais países da Organização Mundial do Comércio (OMC) que busquem formas de superar suas diferenças na Rodada Doha ao invés de ficar repetindo o mesmo discurso de sempre.

"O mais necessário agora são não os discursos prolixos repetidos de outros membros, e sim uma reflexão séria nas próximas semanas sobre onde cada um de nós pode ajustar as posições para eliminar as diferenças substanciais remanescentes", disse em Genebra Peter Allgeier, embaixador dos EUA na OMC.

"Encontrar soluções exige de todos nós que deixemos de lado nossos pontos retóricos favoritos e nos dediquemos a uma mútua resolução genuína e pragmática do problema. Os Estados Unidos estão preparados para fazer nossa parte a esse respeito", disse Allgeier.

A declaração foi feita numa reunião a portas fechadas do Comitê de Negociações Comerciais da OMC, mas seu conteúdo foi divulgado pelo escritório da Representação Comercial dos EUA, em Washington.

Allgeier não citou nominalmente nenhum país, mas os EUA vêm criticando Brasil e Índia por sua insistência em uma maior redução nos subsídios agrícolas norte-americanos. Segundo Washington, Brasília e Nova Délhi oferecem em troca pouca abertura de seus mercados industriais e poucas medidas de proteção da concorrência.

O diplomata afirmou que os EUA estão descontentes com muitos detalhes das atuais propostas da Rodada Doha, mas que nem por isso insistem que os respectivos coordenadores "voltem atrás e produzam documentos revistos que simplesmente re-inserem toda a posição de cada um dos membros".

"Os membros da OMC já seguiram essa abordagem antes. Chamou-se Seattle", afirmou, referindo-se à cidade onde, em 1999, fracassou uma tentativa de lançar uma negociação comercial global --o que acabou ocorrendo dois anos depois em Doha.

(Por Doug Palmer)

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