Especialistas duvidam de 'boom' do etanol na Cuba pós-Fidel

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008 20:24 BRT
 

Por Marc Frank

HAVANA (Reuters) - Cuba só vai aderir à febre do etanol se conseguir produzir o álcool como subproduto da cana, sem afetar a produção de açúcar, disseram especialistas na sexta-feira.

O anúncio da aposentadoria de Fidel Castro, nesta semana, alimentou especulações de que, no eventual governo de seu irmão Raúl, o etanol poderia se tornar uma importante fonte de divisas para o país comunista.

Raúl, que deve ser efetivado no domingo como presidente do país, é considerado menos ideológico e mais pragmático do que Fidel, e já sinalizou em discursos durante sua interinidade, iniciada em julho de 2006, que está interessado em atrair mais investimentos estrangeiros para a ilha.

Mas Fidel, que deve manter enorme influência em Cuba, já recriminou diversas vezes o uso de lavouras alimentícias para a produção de biocombustíveis, o que ele qualificou de crime contra a humanidade por elevar o preço dos alimentos e provocar fome entre os mais pobres.

Um economista local ligado ao setor açucareiro disse que Cuba está desenvolvendo uma tecnologia para a produção de etanol a partir do bagaço da cana. Só se isso der certo, segundo essa fonte, o país se interessaria mais pela produção de álcool combustível.

"É inconcebível enquanto Fidel estiver vivo que seu irmão Raúl ou quem quer que seja converta uma proporção significativa dos nossos canaviais ou de nossas terras ociosas em etanol", disse esse economista, pedindo anonimato.

"Mesmo depois que Fidel morrer, não consigo imaginar isso acontecendo durante algum tempo."

Atualmente, o etanol é obtido da garapa da cana. Assim como ocorre no Brasil, há pesquisas com a tecnologia de celulose, que aproveitaria o bagaço já usado.   Continuação...