9 de Novembro de 2007 / às 17:48 / em 10 anos

Empresários argentinos sonham se aproximar de Cristina Kirchner

Por Kevin Gray

MAR DEL PLATA, Argentina (Reuters) - O presidente Néstor Kirchner, que está em seus últimos dias no cargo, tinha o hábito de censurar os líderes empresariais da Argentina, por isso os executivos do país acalentam a esperança de que seu relacionamento com a presidente eleita, a primeira-dama Cristina Fernandez de Kirchner, seja melhor.

Preocupados com a inflação estimulada pelo forte crescimento econômico, os líderes do setor empresarial estão observando Cristina atentamente em busca de sinais de que ela vá tomar rápidas providências contra a pressão inflacionária, concretizando a imagem mais próxima do setor industrial e empresarial que criou durante a campanha.

Ela vai herdar o crédito que muitos argentinos dão a Kirchner pela retomada do crescimento econômico, mas também enfrentará a preocupação com a inflação, além das acusações de que o governo estaria manipulando os índices oficiais.

Líderes empresariais afirmam também que a escassez de energia lança dúvidas sobre o panorama econômico. "Temos um pé no acelerador e um no freio", disse Luis Bameule, presidente da Quickfood, durante uma reunião anual de líderes empresariais em Mar del Plata.

Para ele, o governo Kirchner "improvisou, preocupando-se mais com o curto prazo, e isso não gera investimento, porque assusta as pessoas. As pessoas querem perspectivas de longo prazo".

O PIB argentino vem crescendo mais de 8 por cento ao ano nos últimos cinco anos, o que permitiu a geração de bons lucros para a classe empresarial, depois da forte crise econômica de 2001-2002.

Se para os empresários o crescimento é bem-vindo, o convívio com Kirchner não foi dos melhores.

O presidente fazia críticas frequentes em público ao setor e pediu aos argentinos que boicotassem produtos de empresas acusadas por ele de conspirar contra sua política econômica.

Mas Cristina já deu indicações de que vai se aproximar mais dos empresários que o marido. Durante a campanha, ela falou em eventos do setor e visitou fábricas -- coisas que o marido costumava evitar. Ela toma posse no dia 10 de dezembro.

"Com Cristina, parece haver a sensação de que se deve dar a ela o benefício da dúvida, de esperá-la assumir e começar a tomar decisões", disse Fabian Perechodnik, analista político do instituto Poliarquia, que participou do evento de empresários.

A primeira-dama já defendeu as estatísticas do governo contra as acusações de manipulação dos dados sobre preços. As mais recentes mostram uma inflação de 8,4 por cento no período de 12 meses até outubro, mas economistas na Argentina e no exterior dizem que a inflação real no período chega perto de 20 por cento.

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