Empresários argentinos sonham se aproximar de Cristina Kirchner

sexta-feira, 9 de novembro de 2007 15:49 BRST
 

Por Kevin Gray

MAR DEL PLATA, Argentina (Reuters) - O presidente Néstor Kirchner, que está em seus últimos dias no cargo, tinha o hábito de censurar os líderes empresariais da Argentina, por isso os executivos do país acalentam a esperança de que seu relacionamento com a presidente eleita, a primeira-dama Cristina Fernandez de Kirchner, seja melhor.

Preocupados com a inflação estimulada pelo forte crescimento econômico, os líderes do setor empresarial estão observando Cristina atentamente em busca de sinais de que ela vá tomar rápidas providências contra a pressão inflacionária, concretizando a imagem mais próxima do setor industrial e empresarial que criou durante a campanha.

Ela vai herdar o crédito que muitos argentinos dão a Kirchner pela retomada do crescimento econômico, mas também enfrentará a preocupação com a inflação, além das acusações de que o governo estaria manipulando os índices oficiais.

Líderes empresariais afirmam também que a escassez de energia lança dúvidas sobre o panorama econômico. "Temos um pé no acelerador e um no freio", disse Luis Bameule, presidente da Quickfood, durante uma reunião anual de líderes empresariais em Mar del Plata.

Para ele, o governo Kirchner "improvisou, preocupando-se mais com o curto prazo, e isso não gera investimento, porque assusta as pessoas. As pessoas querem perspectivas de longo prazo".

O PIB argentino vem crescendo mais de 8 por cento ao ano nos últimos cinco anos, o que permitiu a geração de bons lucros para a classe empresarial, depois da forte crise econômica de 2001-2002.

Se para os empresários o crescimento é bem-vindo, o convívio com Kirchner não foi dos melhores.

O presidente fazia críticas frequentes em público ao setor e pediu aos argentinos que boicotassem produtos de empresas acusadas por ele de conspirar contra sua política econômica.   Continuação...