Protestos após morte de Bhutto deixam pelo menos 24 mortos

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007 13:43 BRST
 

Por Imtiaz Shah

KARACHI (Reuters) - O Paquistão enfrentava na sexta-feira o segundo dia seguido de protestos contra o assassinato da líder da oposição, Benazir Bhutto, e a violência era pior na província em que ela nasceu, no sul do país.

Segundo autoridades, 24 pessoas, entre elas quatro policiais, morreram desde a notícia do assassinato da ex-premiê, na quinta-feira. Ela foi morta ao sair de um comício, em Rawalpindi, perto de Islamabad, num ataque a tiros e a bomba. No ataque, pelo menos outras 16 pessoas morreram.

A violência agravou-se na sexta-feira, na pior turbulência política em anos no Paquistão, que é uma potência nuclear. A grande maioria das mortes, 23, aconteceu na província de Sindh, principal base de apoio de Benazir Bhutto. A cidade de Hyderabad era uma das mais atingidas. Soldados foram chamados para restaurar a ordem. A polícia chegou a receber ordem para atirar em manifestantes violentos, mas nem isso acalmou a situação.

"O Exército está sendo mobilizado na cidade mas não há nenhuma decisão sobre toque de recolher", disse Ghulam Mohtaram, do Ministério do Interior local. De acordo com testemunhas e com a polícia, cerca de 25 bancos foram incendiados, assim como cem veículos e lanchonetes de redes estrangeiras. Vagões de trem também foram incendiados.

As autoridades tinham dito temer que os tumultos piorassem depois do enterro de Benazir Bhutto, na tarde de sexta-feira.

Em Karachi, maior cidade do Paquistão, as ruas estavam desertas e as lojas fechadas. No leste da cidade, mais de 2.000 pessoas atacaram uma delegacia de polícia. Roubaram armas e incendiaram veículos, além da própria delegacia, disse a polícia.

Os manifestantes entoavam gritos de guerra contra o presidente Pervez Musharraf, antigo rival da ex-premiê, e que governa o país desde 1999, após um golpe militar. O presidente condenou o assassinato, pediu calma e declarou luto de três dias. Bancos e escolas ficaram fechados em todo o país.

Enquanto isso, no que aparentemente foi um ataque militante, uma bomba matou seis pessoas numa reunião eleitoral no noroeste do país. Entre os mortos estava um candidato às eleições de janeiro, pelo partido que apóia o presidente Pervez Musharraf, disse a polícia.

Os principais suspeitos de ordenar a morte de Benazir Bhutto são militantes islamitas, provavelmente ligados à Al Qaeda.

(Reportagem adicional de Asim Tanveer)

 
<p>Apoiadores da ex-primeira ministra do Paquist&atilde;o assassinada Benazir Bhutto bloqueando uma via com cercas durante protesto contra o governo.Protestos ap&oacute;s morte de Bhutto deixam pelo menos 24 mortos. Photo by Mian Khursheed</p>