January 24, 2008 / 11:04 PM / 10 years ago

Bush e Congresso fazem acordo por pacote anti-recessão

4 Min, DE LEITURA

Por Richard Cowan e Donna Smith

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e líderes parlamentares chegaram na quinta-feira a um acordo sobre um pacote de 150 bilhões de dólares em restituições fiscais para famílias e em incentivos empresariais, visando a evitar uma recessão na maior economia do mundo.

O acordo prevê restituições fiscais de 600 dólares para indivíduos e 1.200 dólares para casais, além de 300 dólares por filho. É uma rara demonstração de cooperação entre Bush e o Congresso, dominado pela oposição democrata.

A idéia é injetar dinheiro na economia para atenuar os efeitos da crise das hipotecas imobiliárias, da escassez de crédito e do aumento do preço do petróleo.

"Este acordo é resultado de discussões intensas e muitos telefonemas, encontros tarde da noite e o tipo que cooperação que alguns previam que não seria possível aqui em Washington", disse Bush a jornalistas. "Este pacote tem o conjunto correto de políticas e o tamanho correto", acrescentou.

"Vem na hora certa, tem alvo, é temporário e foi feito em tempo recorde", disse a presidente da Câmara, democrata Nancy Pelosi, prometendo medidas adicionais caso isso seja necessário.

"Não posso dizer que eu esteja totalmente contente com o pacote. Mas sei que vai ajudar a estimular a economia, e se não haverá mais pela frente."

A proposta ainda pode sofrer mudanças no Senado, especialmente no sentido de ampliar seu valor. Os 150 bilhões de dólares da proposta inicial representam cerca de 1 por cento do PIB dos EUA.

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, disse esperar que o plano seja enviado à sanção de Bush até meados de fevereiro, mas que antes será examinado com atenção pelos senadores.

O plano também amplia para quase 730 mil dólares o valor que pode ser financiado por grandes instituições de hipotecas, como Fannie Mae e Freddie Mac. Isso deve reduzir a taxa de juros nesses empréstimos de alto custo.

O plano de restituições fiscais terá reduções graduais para pessoas mais ricas --indivíduos que ganham mais de 75 mil dólares anuais em termos de renda bruta ajustada, ou casais com renda superior a 150 mil dólares. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, disse que para cada mil dólares acima desse nível haverá uma redução de 5 por cento na restituição fiscal.

Ainda está em debate se as restituições valem apenas para quem paga imposto de renda, ou se pessoas de baixa renda, que são isentas, também receberão dinheiro. Os democratas defendem o pagamento universal dessa restituição.

Pelo pacote, trabalhadores que declararam renda de pelo menos 3.000 dólares em 2007 e não pagaram imposto de renda poderão receber um cheque de 300 dólares por indivíduo sem dependentes, ou 600 no caso de casais.

O pacote também inclui incentivos para empresas que compram novos equipamentos e fazem outros investimentos. As empresas poderão imediatamente deduzir 50 por cento dos custos.

Além disso, poderão deduzir uma parcela maior de eventuais prejuízos do que em anos fiscais anteriores.

O temor de uma recessão nos EUA provocou uma queda generalizada dos mercados mundiais nesta semana. Mas a estimativa de um pacote de estímulo e um corte emergencial de juros nos EUA, em 0,75 ponto percentual, parecem ter acalmado o mundo financeiro. As principais ações dos EUA fecharam na quinta-feira quase 110 pontos acima do pregão anterior.

Reportagem adicional de Caren Bohan e Tabassum Zakaria

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