Conselho de Segurança da ONU condena repressão em Mianmar

quinta-feira, 11 de outubro de 2007 16:30 BRT
 

Por Patrick Worsnip

NAÇÕES UNIDAS, 11 de outubro (Reuters) - O Conselho de Segurança da ONU superou as divergências entre seus membros e emitiu uma declaração condenando a repressão do governo militar de Mianmar aos protestos pró-democracia.

A declaração, aprovada por todos os 15 integrantes do conselho, incluindo a China, também pediu a libertação de "todos os prisioneiros políticos" e que a junta militar prepare-se para um "diálogo genuíno" com a líder da oposição Aung San Suu Kyi.

Foi a primeira vez que o conselho tomou alguma atitude em relação a Mianmar. A declaração evidencia uma mudança de posição por parte da China, que tinha usado seu poder de veto para evitar que o órgão criticasse as autoridades de Mianmar, ex-Birmânia.

A ONU, por sua vez, afirmou que o enviado especial Ibrahim Gambari vai dar início no fim de semana a uma viagem pela Ásia que deve culminar com sua segunda visita a Mianmar desde a onda de violência, no mês passado.

A junta admite que dez pessoas morreram nos protestos, liderados por monges budistas, mas governos ocidentais afirmam que é provável que muito mais gente tenha morrido.

Gambari passará por Tailândia, Indonésia, Índia, China e Japão, afirmou a ONU. A segunda viagem a Mianmar estava prevista para meados de novembro, mas acabou sendo antecipada. Diplomatas ocidentais dizem acreditar que Gambari chegue a Mianmar antes do fim de outubro para pressionar a junta a atender às exigências da declaração aprovada na quinta-feira.

"O Conselho de Segurança condena veementemente o uso de violência contra manifestações pacíficas em Mianmar", disse a declaração, lida pelo presidente do conselho, Leslie Kojo Christian, de Gana.

O conselho "enfatiza a importância da pronta libertação de todos os prisioneiros políticos", acrescentou o texto.

"O Conselho de Segurança ressalta a necessidade de o governo de Mianmar criar as condições necessárias para um diálogo genuíno com Daw Aung San Suu Kyi e todos os partidos e grupos étnicos envolvidos, para chegar a uma conciliação nacional abrangente."