Bloqueio de estrada inaugura ano de protestos na Bolívia

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 18:31 BRST
 

LA PAZ (Reuters) - Transportadores que rejeitam o aumento no seguro obrigatório contra acidentes bloquearam nesta quarta-feira as principais estradas que circundam La Paz, criando o primeiro conflito social de 2008 na Bolívia, segundo relatos da mídia local.

O bloqueio começou de madrugada e deixou La Paz incomunicável com todo o país. A ação poderá estender-se a outros distritos, anunciou o dirigente da Confederação de Motoristas da Bolívia, Franklin Durán.

"Isso é o cúmulo. Apenas iniciamos um novo ano e já temos um bloqueio. Parece que continuaremos sendo um país de conflitos", disse à Rádio Erbol uma viajante não identificada, prejudicada pelo protesto, a cerca de 80 quilômetros ao sul de La Paz.

Um dos países mais instáveis do continente, a Bolívia viveu quase um conflito por dia no primeiro semestre de 2007, com destaque para bloqueios de estradas e passeatas realizadas por diversos setores da sociedade, segundo um informativo da Fundação Unir, entidade independente voltada para estudos sociológicos e de comunicação.

A situação não foi muito diferente na segunda metade de 2007, que terminou em um ambiente de elevada tensão política motivada por disputas entre o governo do presidente Evo Morales e vários governadores de oposição por causa de um processo de mudanças constitucionais e de exigências de autonomia para as regiões.

Segundo a Unir, os conflitos na Bolívia são principalmente "turbulências territorializadas" que "não põem em risco a continuidade do governo" de Morales.

Durán disse a repórteres que os transportadores não aceitam o aumento imposto pelas seguradoras, de até 70 por cento nos preços do seguro contra acidentes. Segundo ele, esse acréscimo afeta especialmente os operadores regionais e os transportadores que viajam por longas distâncias.

O ministro de Obras e Serviços Públicos, José Kinn, disse que o bloqueio não se justifica porque já em dezembro o governo anulou a diferença de preços entre os seguros contra acidentes de trânsito urbanos e rurais, que era criticado pelos transportadores.

(Por Carlos Alberto Quiroga)