28 de Janeiro de 2008 / às 21:40 / 10 anos atrás

Discurso de Bush deve incluir comércio e agricultura

Por Missy Ryan e Charles Abbott

WASHINGTON (Reuters) - A combalida economia norte-americana e a guerra do Iraque devem dominar o discurso do presidente George W. Bush ao Congresso dos EUA na noite de segunda-feira, mas o presidente também deve abordar a legislação agrícola e acordos comerciais pendentes, dois assuntos que interessam diretamente aos produtores rurais do país.

O discurso anual do Estado da União é habitualmente um meio para transmitir recados sobre segurança e outros temas a governos estrangeiros. Mas é também um veículo para o presidente tratar de questões mais específicas, que normalmente não viram manchete, como a agricultura.

"Isso significa levar crédito pela recém-aprovada ampliação da energia renovável, criando uma expectativa pela política agrícola, e prometendo ação (a respeito de acordos comerciais)", disse o analista Gary Blumenthal, da consultoria World Perspectives.

Bush e o Congresso vêm negociando a lei agrícola. O presidente promete vetar uma versão que institua novos impostos e negue subsídios agrícolas à parcela dos 2 por cento mais ricos da população dos EUA.

O analista Mark McMinimy, da Stanford Washington Research, disse que Bush deve usar a lei agrícola como um exemplo da suposta irresponsabilidade fiscal dos democratas, que controlam o Congresso. O projeto em discussão prevê gastos de 286 bilhões de dólares.

"O tom e a linguagem que Bush usar será importante para determinar quão forte, ou fraca, é sua ameaça de veto, e consequentemente até que ponto podem ser esperadas mudanças", disse Blumenthal.

Bush também deve usar o discurso para insistir na necessidade de conclusão da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio, paralisada após seis anos por divergências na área agrícola. Há rumores de que na época da Páscoa poderia ocorrer uma importante reunião internacional que levaria à solução dos impasses desse processo.

A expectativa de acordo é especialmente atraente para os agricultores dos EUA, interessados em ampliar suas exportações para além dos 91 bilhões de dólares previstos para o ano fiscal de 2008.

"Este é um presidente ligado demais às corporações multinacionais, e por isso cumprir o acordo de Doha seria tão importante", disse Ben Lilliston, porta-voz do Instituto para a Agricultura e a Política Comercial, de Minnesota.

Mas o setor agrícola não está disposto a, em troca, abrir mão dos polpudos subsídios que recebe do governo.

Dave Salmonsen, analista de questões comerciais da Federação Americana da Agricultura, espera que Bush use o discurso para renovar a pressão sobre o Congresso pela rápida aprovação dos acordos bilaterais de comércio com Coréia do Sul, Colômbia e Panamá.

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