17 de Junho de 2008 / às 18:13 / 9 anos atrás

Delegado diz que militares podem ter ligação com traficantes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os militares acusados de participação na morte de três jovens do Morro da Providência, durante o fim de semana, podem ter relação com traficantes do Morro da Mineira, onde o trio foi torturado e executado, segundo o delegado Ricardo Dominguez.

"Há fortes indícios de que os militares tinham contato com os traficantes da Mineira, já que conseguiram entrar e sair da favela sem serem confrontados, sem problemas", disse a jornalistas na terça-feira o delegado da 4a Delegacia de Polícia.

Três militares, um deles tenente, confessaram que levaram os jovens ao Morro da Mineira, sob controle de traficantes rivais aos do Morro da Providência, na região central do Rio. Segundo o delegado, eles disseram à polícia que entregaram os jovens aos traficantes da Mineira, para dar um "corretivo". Os jovens foram abordados no sábado, na Providência, e seus corpos foram encontrado no aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias.

Três militares já foram ouvidos, e o delegado iria interrogar os outros oito nesta terça-feira. Dominguez afirmou ainda que pode pedir à Justiça a quebra do sigilo telefônico dos militares para "auxiliar nas investigações".

Os militares estão detidos no Batalhão de Polícia do Exército, na zona norte do Rio.

Após protestos contra o Exército realizados na segunda-feira no Morro da Providência e na frente do Comando Militar do Leste (CML), representantes da associação de moradores se reuniram nesta terça com o CML.

Os militares do Exército estavam na Providência para participar de um projeto de obras na área da construção civil.

Segundo o general Mauro César Cid, os militares vão concluir obras em andamento na Providência até quinta-feira e depois decidirão se continuarão participando no projeto social do senador e bispo da Igreja Universal Marcelo Crivella (PRB), candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. O projeto tem apoio do Ministério das Cidades.

A Defensoria Pública da União comunicou que pretende entrar com uma ação na Justiça para pedir a imediata retirada do Exército do Morro da Providência.

O ministro da Defesa, Neson Jobim, que na segunda-feira se declarou "indignado" e pediu ação radical da Justiça, viajou ao Rio para acompanhar de perto as investigações.

Segundo a assessoria da Presidência, Lula encontrou Jobim antes da reunião da Coordenação Política, e demonstrou profunda indignação, tanto pelo fato em si quanto pela participação das Forças Armadas no episódio.

Jobim disse que, junto com o comando do Exército, avaliou que era importante sua presença no local, e o presidente Lula autorizou sua viagem imediata ao Rio.

Por Rodrigo Viga Gaier

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below