Kerviel diz que SocGen deveria ter notado suas operações

terça-feira, 29 de janeiro de 2008 19:35 BRST
 

Por Crispian Balmer

PARIS (Reuters) - O pivô do escândalo financeiro envolvendo o banco francês Societé Générale disse que suas atividades não poderiam ter passado despercebidas pela direção.

O operador Jérôme Kerviel, que passou o fim de semana sendo interrogado pela polícia, é acusado pelo SocGen de ter criado posições ilícitas que na semana passada lhes custaram 4,9 bilhões de euros.

Vários veículos da imprensa francesa publicaram trechos do depoimento, que foram confirmados à Reuters por uma fonte judicial.

Kerviel disse à polícia que na melhor das hipóteses houve uma falha sistemática dos controles informáticos e administrativos. Um advogado do banco francês questionou a versão do operador.

"O sr. Kerviel acusou um certo número de pessoas, mas também reconhece ter assumido posições enquanto apagava seus rastros, e de uma forma totalmente contra as regras", disse Jean Viel à rádio RTL.

Kerviel teria dito à polícia que começou a ocultar suas transações em 2005, e que no final do ano passado já acumulava 1,4 bilhão de euros em lucros. Para não chamar a atenção para a quantia, ele a disfarçava com supostos prejuízos em falsas operações.

"Não consigo acreditar que meus superiores não perceberam o dinheiro que eu estava comprometendo [com as transações ilícitas]. Era impossível gerar tais lucros com posições pequenas", disse Kerviel, segundo as transcrições.

Como operador júnior, havia limites para as posições que ele podia assumir, mas a SocGen diz que ele sabia burlar esses controles graças aos cinco anos que passou em outras áreas do banco.   Continuação...