Governo argentino diz que segue em diálogo com agricultores

domingo, 30 de março de 2008 12:25 BRT
 

Por César Illiano

BUENOS AIRES (Reuters) - O governo argentino seguirá negociando com os agricultores em greve que colocam o país à beira do desabastecimento, depois de terem rompido uma trégua e voltado a bloquear estradas em todo o país, disse o chefe de gabinete, Alberto Fernández.

O pior protesto no país em anos nasceu em resposta a uma alta dos impostos de exportação de grãos, que despertou a fúria dos homens do campo, que asseguram que a medida compromete sua rentabilidade, enquanto o governo crê que este ainda segue sendo um setor altamente lucrativo.

Na sexta-feira, as quatro maiores entidades agrícolas do país haviam cancelado a medida de força, que começou em 13 de março e alterou os mercados globais de commodities, mas depois do primeiro encontro com o governo não encontraram as respostas que buscavam e voltaram à greve.

"Voltar à paralisação era a única coisa que não podiam fazer. A presidente (Cristina Kirchner) já disse claramente: a paralização é um obstáculo ao diálogo", disse Fernández em declarações publicadas no domingo pelo jornal Clarín.

"Ninguém pode imaginar que depois de 16 dias de conflito nós vamos chegar a um acordo logo depois de nos sentarmos. Nós os esperamos nesta segunda-feira à tarde para seguir conversando", afirmou.

Os produtores voltaram a ocupar dezenas de estradas em todo o país e só permitem a circulação de ônibus e automóveis, apesar de alguns bloqueios permitirem a passagem de caminhões com lácteos para aliviar a situação de desabastecimento.

O protesto também prejudicou o funcionamento do maior mercado de abastecimento de Buenos Aires, uma vez que caminhões com frutas e verduras que conseguiram atravessar os bloqueios durante a breve trégua de sexta e sábado chegaram ao local com boa parte de sua mercadoria em mau estado.

O presidente da câmara de frutícolas, Fabián Zeta, pediu ao governo que normalize a situação. "Nós estamos nos arruinando", afirmou, confirmando que no sábado tiveram que descartar duas toneladas de mercadoria.

Essa imagem, além das que se viram na semana passada de centenas de litros de leites despejados no solo diante da impossibilidade de fazê-los chegar às indústrias, sensibilizaram a sociedade em um país com mais de um quarto de seus cidadãos vivendo em pobreza.

A isso se soma o protesto que já esvaziou completamente as gôndolas de carne nos supermercados de Buenos Aires, deixando a população sem um elemento chave de sua dieta.

 
<p>Fazendeiros carregam bandeira argentina enquanto bloqueiam estrada  perto da cidade de Gualeguaychu em 29 de mar&ccedil;o. Photo by Enrique Marcarian</p>