7 de Agosto de 2008 / às 20:17 / 9 anos atrás

Junta da Mauritânia promete eleições; EUA suspendem ajuda

Por Vincent Fertey e Ibrahima Sylla

NUAKCHOTT (Reuters) - Os líderes golpistas da Mauritânia prometeram na quinta-feira realizar eleições presidenciais livres e transparentes assim que for possível, o que não impediu os Estados Unidos de suspenderem ajuda financeira e exigirem a volta imediata ao regime civil.

Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi, primeiro presidente eleito na história do país, foi deposto na quarta-feira, depois de tentar afastar comandantes militares que haviam se indisposto com o governo.

É o primeiro golpe de Estado concretizado na África desde que os mesmos militares depuseram um governo anterior, há três anos. Em todo mundo houve reações de apoio ao governo eleito da Mauritânia, que é o mais novo produtor de petróleo do continente.

“Condenamos nos termos mais fortes possíveis a deposição pelos militares do governo democraticamente eleito da Mauritânia, e no momento toda a assistência externa não-humanitária está suspensa e sob revisão”, disse um porta-voz do Departamento de Estado, acrescentando que a ajuda em questão totaliza 20 milhões de dólares.

A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar um grupo que protestava contra o golpe. Mas centenas de outras pessoas tomaram as ruas da capital, Nuakchott, em apoio ao ex-chefe da guarda presidencial Mohamed Ould Abdel Aziz, que iniciou o golpe depois de ser demitido.

“Longa vida ao general!”, gritavam os simpatizantes, buzinando seus carros e sob o olhar complacente de soldados do Exército.

Abdel Aziz instituiu um “Conselho Supremo do Estado”, composto por oficiais de alta patente, para preparar junto com líderes civis uma eleição presidencial “no prazo mais curto possível”.

O conselho prometeu também respeitar todos os tratados que envolvem a Mauritânia, um país na confluência do mundo árabe com a África negra, onde o Saara encontra o Atlântico. É um dos poucos países árabes que mantêm relações diplomáticas com Israel.

“Prometo respeitar a democracia, garantir a justiça para todos e resolver problemas em todo o país”, disse Abdel Aziz em sua primeira aparição pública desde o golpe.

Eleito em 2007, Abdallahi enfrentou várias crises, e o aumento dos preços de alimentos e combustíveis abalaram ainda mais seu governo. Ele havia demitido todo um ministério em maio, e o gabinete seguinte renunciou em julho, diante da perspectiva de um voto de desconfiança.

Na segunda-feira, a crise se agravou com a deserção de grande parte da bancada do partido governista PNDD-Adil, que acusava Abdallahi de não consultar os parlamentares e de enfraquecer as instituições.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below