January 8, 2008 / 12:20 AM / in 10 years

Tomar sol é mais benéfico que arriscado, diz estudo

4 Min, DE LEITURA

Por Michael Kahn

LONDRES (Reuters) - Um pouco mais de exposição ao sol pode prolongar a vida, segundo um estudo publicado na segunda-feira, sugerindo que para algumas pessoas os benefícios do sol superam o risco de câncer de pele.

A luz solar estimula o organismo a produzir a vitamina D, mas o medo do câncer de pele está fazendo muita gente preferir a sombra, privando-se de uma importante proteção contra várias doenças, segundo os pesquisadores.

"O risco de câncer de pele está aí, mas os benefícios para a saúde resultantes de alguma exposição solar são bem maiores que o risco", disse Johan Moan, do Instituto para a Pesquisa do Câncer em Oslo, responsável pelo estudo. "O que descobrimos é que uma modesta exposição ao sol dá enormes benefícios em termos de vitamina D."

Vários estudos já haviam apontado os efeitos protetores da vitamina D em abundância contra alguns tipos de câncer e outras doenças, como raquitismo, osteoporose e diabete, segundo Moan. Certos alimentos contêm vitamina D, mas a principal fonte para o organismo é mesmo a luz solar.

Os pesquisadores calcularam que, passando o mesmo tempo ao ar livre, as pessoas que vivem próximas do Equador (no caso, na Austrália) produziam 3,4 vezes mais vitamina D do que as pessoas na Grã-Bretanha e 4,8 vezes mais que os escandinavos.

Isso significa que, embora cresça no mundo todo a incidência de tumores internos, como os de cólon, pulmão, mama e próstata, as pessoas que vivem em latitudes ensolaradas têm menos propensão a morrer dessas doenças, segundo os pesquisadores.

"Os dados atuais fornecem mais uma indicação do papel benéfico da vitamina D induzida pelo sol para o prognóstico de câncer", disse Richard Setlow, do Laboratório Nacional Brookhave, ligado ao Departamento de Energia dos EUA, que também participou do estudo.

Ter mais vitamina D --que ajuda o funcionamento do sistema imunológico-- é importante também para pessoas que vivem em lugares como a Escandinávia, onde os invernos longos, com dias curtíssimos, limitam a exposição ao sol em determinadas épocas, segundo Moan.

Ele estima que, na Noruega, o número anual de mortes por câncer de pele saltaria de 150 para 300 caso a população em geral passasse o dobro do tempo ao sol. Por outro lado, haveria 3.000 mortes a menos por causa de outros tipos de câncer.

"Os benefícios podem ser significativos para pessoas em outros países também", disse ele por telefone. "Eu ficaria surpreso se fossem diferentes."

O recomendável, segundo ele, é ficar exposto ao sol diariamente por metade do tempo necessário para que haja queimadura.

Outra forma de ampliar o fornecimento de vitamina D, segundo os pesquisadores, seria desenvolver protetores solares que só bloqueassem os raios ultravioletas de comprimento longo, que provocam as formas mais letais de câncer de pele, mas que permitissem a passagem dos raios UV de comprimento mais curto, que produzem a vitamina.

O estudo foi publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Por Michael Kahn

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