Tomar sol é mais benéfico que arriscado, diz estudo

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 21:53 BRST
 

Por Michael Kahn

LONDRES (Reuters) - Um pouco mais de exposição ao sol pode prolongar a vida, segundo um estudo publicado na segunda-feira, sugerindo que para algumas pessoas os benefícios do sol superam o risco de câncer de pele.

A luz solar estimula o organismo a produzir a vitamina D, mas o medo do câncer de pele está fazendo muita gente preferir a sombra, privando-se de uma importante proteção contra várias doenças, segundo os pesquisadores.

"O risco de câncer de pele está aí, mas os benefícios para a saúde resultantes de alguma exposição solar são bem maiores que o risco", disse Johan Moan, do Instituto para a Pesquisa do Câncer em Oslo, responsável pelo estudo. "O que descobrimos é que uma modesta exposição ao sol dá enormes benefícios em termos de vitamina D."

Vários estudos já haviam apontado os efeitos protetores da vitamina D em abundância contra alguns tipos de câncer e outras doenças, como raquitismo, osteoporose e diabete, segundo Moan. Certos alimentos contêm vitamina D, mas a principal fonte para o organismo é mesmo a luz solar.

Os pesquisadores calcularam que, passando o mesmo tempo ao ar livre, as pessoas que vivem próximas do Equador (no caso, na Austrália) produziam 3,4 vezes mais vitamina D do que as pessoas na Grã-Bretanha e 4,8 vezes mais que os escandinavos.

Isso significa que, embora cresça no mundo todo a incidência de tumores internos, como os de cólon, pulmão, mama e próstata, as pessoas que vivem em latitudes ensolaradas têm menos propensão a morrer dessas doenças, segundo os pesquisadores.

"Os dados atuais fornecem mais uma indicação do papel benéfico da vitamina D induzida pelo sol para o prognóstico de câncer", disse Richard Setlow, do Laboratório Nacional Brookhave, ligado ao Departamento de Energia dos EUA, que também participou do estudo.

Ter mais vitamina D --que ajuda o funcionamento do sistema imunológico-- é importante também para pessoas que vivem em lugares como a Escandinávia, onde os invernos longos, com dias curtíssimos, limitam a exposição ao sol em determinadas épocas, segundo Moan.   Continuação...