Irã diz ter superado dificuldades no setor nuclear

quinta-feira, 4 de outubro de 2007 18:06 BRT
 

Por Parisa Hafezi

TEERÃ (Reuters) - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse na quinta-feira que o Irã superou as dificuldades que enfrentava em seu caminho para ter uma indústria nuclear e que agora ninguém poderá conter o país. A declaração foi feita um dia depois da França ter pedido mais sanções ao país.

Diplomatas dizem que o Irã já instalou quase 3.000 centrífugas nucleares, quantidade suficiente para iniciar a produção de combustível atômico em escala industrial, desde que as máquinas sejam usadas em uníssono, em altíssimas velocidades, durante longos períodos.

"Anuncio a todo o mundo que a nação iraniana passou os pontos difíceis (de seu caminho nuclear)", disse Ahmadinejad em declarações transmitidas pela agência oficial de notícias Irna. "E nenhuma potência pode impedir esta nação de alcançar cada vez mais feitos (atômicos)."

Na terça-feira, o jornal Financial Times trouxe declaração do diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei, para quem o Irã está usando apenas 10 por cento da capacidade de enriquecimento de urânio e continua "longe de ter uma arma nuclear" --o que Teerã diz não ser sua intenção.

As potências ocidentais desconfiam do caráter pacífico do programa atômico iraniano e já conseguiram impor na ONU dois pacotes de sanções ao país, além de ameaçar com novas punições.

Na quarta-feira, o chanceler francês, Bernard Kouchner, escreveu aos demais governos da União Européia pedindo que eles cogitem ampliar as sanções financeiras da UE ao Irã, uma vez que Rússia e China impedem que a ONU adote punições mais severas.

Em abril, Ahmadinejad proclamou que o país já produzia combustível atômico em escala industrial. Porém, essa e outras declarações do presidente a respeito do programa nuclear não foram confirmadas pelos fatos, segundo analistas.

Diplomatas próximos à AIEA, órgão ligado à ONU, estimavam originalmente que o Irã teria 3.000 centrífugas funcionando até maio ou junho. Em julho, porém, a agência relatou uma desaceleração do programa, o que continuou até meados de setembro.