Farc rejeitam libertação imediata de Ingrid Betancourt

sexta-feira, 4 de abril de 2008 09:35 BRT
 

BOGOTÁ (Reuters) - Os apelos da França à maior guerrilha colombiana pela libertação da refém Ingrid Betancourt, que está gravemente doente, foram rejeitados por um líder rebelde, segundo quem só um acordo político com o governo local pode levar ao fim do sequestro.

A declaração de Rodrigo Granda, um dos líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ocorreu horas depois da chegada a Bogotá de um avião com uma missão médica organizada pela França, que pretende ir à selva atender Betancourt.

"Só como consequência de uma troca de prisioneiros sairão livres os que estão cativos em nossos acampamentos", disse Granda, libertado em meados de 2007 pelo governo de Álvaro Uribe.

"Não é admissível que nos peçam mais gestos de paz quando, depois de tantas mostras fidedignas de nossa vontade política para encontrar saídas ao conflito, nos respondem com infâmias e maledicência", disse Granda em artigo publicado pela Agência Bolivariana de Imprensa.

Horas antes, um avião Falcon pousou no aeroporto militar de Catam, a oeste de Bogotá, com a equipe médica destinada a tratar da franco-colombiana Betancourt, sequestrada quando fazia campanha como candidata a presidente da Colômbia, em 2002.

As Farc querem negociar com o governo a troca de 40 reféns "estratégicos" (políticos, militares, policiais e três norte-americanos) por cerca de 500 guerrilheiros presos.

Mas ambas as partes não conseguem se entender nem sobre o formato da negociação. Uribe recusa-se a retirar as Forças Armadas de uma zona montanhosa de 780 quilômetros quadrados, no sul, onde ocorreria o processo de troca. O presidente afirma que a guerrilha quer a desmilitarização como pretexto para se fortalecer.

Dois dias antes da chegada da missão médica, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu pela TV ao dirigente máximo das Farc, Manuel Marulanda, que liberte Betancourt, de 46 anos, mãe de dois filhos.

Sarkozy disse que a política está gravemente doente e precisa de atendimento imediato.

Uribe se comprometeu a suspender as operações militares na região onde lhe indicarem que pode haver o atendimento médico à refém.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)