17 de Junho de 2008 / às 12:17 / em 9 anos

Enchentes castigam centro exportador da China

Por John Ruwitch

<p>Um habitante de Zhangzhou, na China, percorre de barco rua inundada da cidade. O centro industrial do extremo sul da China preparava-se na ter&ccedil;a-feira para enfrentar as enchentes que j&aacute; mataram 169 pessoas na regi&atilde;o. Photo by Stringer Shanghai</p>

SANSHUI, China (Reuters) - O centro industrial do extremo sul da China preparava-se na terça-feira para enfrentar as enchentes que já mataram 169 pessoas na região e somam-se à série de desastres naturais que atinge o país antes dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Autoridades da província de Guangdong, uma área vizinha de Hong Kong economicamente importante, de grandes dimensões e densamente povoada, avisou sobre o perigo de um “junho negro” no momento em que chuvas fortes e dois rios com excesso de água ameaçavam os diques de contenção, afirmou a agência de notícias Xinhua.

A grande quantidade de água que caiu sobre o sul da China nos últimos dez dias obrigou à retirada de 1,66 milhão de pessoas de suas casas, afirmou o Ministério dos Assuntos Civis. As perdas econômicas diretas somam 15 bilhões de iuans (2,2 bilhões de dólares).

A cifra de mortos diz respeito ao período iniciado com a temporada das enchentes, no começo do verão.

Guangdong prevê um novo alagamento na parte baixa do delta do rio Pérola, que abarca várias zonas industriais voltadas à exportação, entre as quais Foshan, Zhongshan e a capital da província, Guangzhou.

Na cidade de Sanshui, onde fábricas de plásticos ficam próximas de plantações de arroz, a água misturada à lama já chegava à janela de casas localizadas próximas aos rios.

Em Shilong, cidade localizada ainda mais a leste do delta, um agricultor de 64 anos que informou apenas seu primeiro nome, Liang, cuidava de uma pequena plantação de inhame, flor de lótus e outros vegetais às margens do rio.

“A água subiu até aqui”, afirmou Liang, apontando para uma marca na parede do dique localizada cerca de 3 a 4 metros acima do nível da água. “E levou todos os meus repolhos.”

Quatro crianças de uma escola em Guangxi, província localizada a oeste de Guangdong, morreram quando um muro caiu por conta da chuva, informou a agência de notícias Xinhua.

A temporada dos tufões começou, garantindo a ocorrência de novos desastres na região costeira de Guangdong, lar de 110 milhões de moradores permanentes e temporários durante o verão.

“A rede fluvial do delta do rio Pérola verificou não apenas seu maior volume de enchentes nos últimos 50 anos, mas, ao mesmo tempo, viu-se atingida também pelas colunas de água mais altas dos últimos dez anos”, afirmou um relatório divulgado pela agência de águas de Guangdong em seu site (www.gdwater.gov.cn).

Raramente a China consegue ficar um ano que seja sem registrar enchentes, secas e outros desastres naturais em algum ponto de seu vasto território.

Intensas tempestades de neve tomaram conta de grande parte do sul do país, em janeiro, e a China ainda se recupera do terremoto de 12 de maio, cujo epicentro ficou na Província de Sichuan e que matou mais de 70 mil pessoas.

Reportagem adicional de Chris Buckley e Guo Shipeng em Pequim

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